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Atualizado às: 21 de outubro, 2004 - 21h33 GMT (18h33 Brasília)
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Exportação de bordado faz revolução cultural em oásis do Egito

Bordadeira berbere
As mulheres do oásis podem comprar o que querem, sem ter que pedir a um homem
O bordado está por trás de uma revolução pacífica no tradicional oásis de Sihua, no Egito, onde moram os berberes.

A pequena área verde perto da fronteira com a Líbia tem nas tâmaras a base de sua economia. Mas a receita dessa atividade está sendo superada pela renda do trabalho das mulheres do oásis.

Graças à sua habilidade com a agulha, as mulheres estão ganhando mais que o dobro da média da renda obtida pelos homens com a agricultura em Sihua.

Elas continuam obrigadas a se cobrir da cabeça aos pés quando saem de casa e não têm qualquer contato com o mundo fora do oásis, mas os seus bordados estão nas passarelas de Milão.

Treinamento

Há três anos, Tony Scervino – estilista italiano que representa 50% do ateliê Ermanno Scervino – foi de férias para Sihua e descobriu os bordados berberes aplicados em roupas vendidas no mercado local.

Impressionado com a originalidade do trabalho, ele decidiu incorporar esses bordados na sua próxima coleção.

Ele descobriu que o trabalho era feito por mulheres mais velhas e, por isso, organizou um sistema para que as jovens também pudessem ser treinadas nesse bordado tão cheio de detalhes.

Scervino envia peças em seus tecidos exclusivos para o Cairo e de lá eles são transportados por mais de 700 quilômetros até Sihua, onde são bordados. Depois, são levados de volta para a Itália.

Laila Neamatalla, uma egípcia que fez a ligação entre Scervino e as bordadeiras berberes, é testemunha das mudanças na vida delas.

Gosto de liberdade

As mulheres casadas ainda não saem de casa, mas as solteiras recentemente começaram a trabalhar fora dela, na fábrica.

bordado berbere
As roupas com os bordados alcançam preços altos nas boutiques européias

Elas gostam de se reunir sob o olhar cuidadoso de Laila.

Ela está no controle e tem o poder de empregar novas mulheres, à medida em que aumenta a demanda.

"É um sonho ter o próprio negócio", diz Laila. "Meu pai algumas vezes senta à porta para ter certeza de que ninguém entra, mas, na verdade, é nosso primeiro gosto de liberdade e independência."

As mulheres se sentam no chão e bordam silenciosamente. Elas são pagas de acordo com o número de peças que fazem.

Embora usem os pontos e padrões tradicionais, a vida delas mudou.

O dinheiro permite que elas comprem o que querem, sem ter que pedir licença a nenhum homem.

Símbolos

Na outra ponta dessa conexão de negócios, os seus bordados são integrados às peças exclusivas e caras que o moderno ateliê de moda iataliano apresenta nas passarelas.

A modelo sudanesa Alek Wek diz que tem um sentimento especial por vestir as roupas decoradas com os bordados de Sihua.

Bolsos, colarinhos, punhos e até peças de roupa inteiras são trazidas ao Egito dentro de um sistema de draw back, que permite que os itens bordados à mão de forma delicada e paciente sejam reexportados sem pagar imposto.

As peças são aplicadas de forma ainda mais cuidadosa nas vestimentas glamurosas de Ermanno Scervino.

Essa cooperação bicultural e bicontinental é também uma boa ilustração de como a estética do Oriente Médio está sendo integrada aos produtos ocidentais.

Surpreendentemente, talvez, nem todos os símbolos dos bordados são islâmicos.

ateliê na Itália
Os desenhos exclusivos de Sihua são levados às passarelas

Leila é cristã cóptica e chama a atenção para a presença de peixes e cruzes, o que ela toma como um sinal de que o Cristianismo pode ter estado presente no oásis antes que os Sihuans forssem convertidos ao islamismo, no século 12.

"Mas não consegui encontrar nenhum outro sinal da presença cristã no oásis", admite ela.

Exclusividade

Os tipos de peças onde as mulheres bordam vão mudando de acordo com a estação e, com isso, crescem seu entusiasmo e habilidade.

O relacionamento funciona bem para todos. Os desenhos únicos e originais, que existem só em Sihua, dão exclusividade para as coleções italianas.

Em troca, as 500 mulheres Sihuan que trabalham para a Ermanno Scervino podem comprar algum conforto para suas casas e alguns bens de luxo.

Ter o próprio dinheiro também permite às garotas escolher um marido de forma seletiva. Algumas vezes, ainda raramente, elas decidem não se casar.

E na Itália, mulheres ricas usam as roupas porque elas são chique e estão na moda.

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