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Análise: Rede de Zarqawi pode ser rival da Al-Qaeda? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um comunicado divulgado em um site islâmico, no dia 17 de outubro – alegadamente do grupo Tawhid e Jihad, liderado por Abu Musab Al-Zarqawi –, começa com um compromisso de fidelidade do líder e de seus combatentes a Osama Bin Laden. Verificar o autor de divulgações na internet é quase impossível, e a declaração não foi autenticada. No entanto, até mesmo a sugestão de algum tipo de aliança marca uma nova virada na contestada história da relação entre Zarqawi e Bin Laden. Poucos duvidam que tenha havido contatos, mas a visão mais aceita até agora é que Zarqawi construiu sua rede paralela que, de muitas maneiras, pode estar competindo com a Al-Qaeda de Bin Laden. Ligações Zarqawi ganhou destaque pela primeira vez pouco antes do início da guerra no Iraque, durante apresentação na ONU do secretário de Estado americano, Colin Powell. Nela, a presença de Zarqawi no Iraque foi mostrada como prova da ligação entre o regime de Saddam Hussein e a Al-Qaeda. Mas as evidências de ligações tanto com Saddam quanto com a Al-Qaeda se mostraram difíceis de comprovar. Desde o começo da insurgência no Iraque, a importância de Zarqawi como símbolo dessa insurgência tem crescido, da mesma maneira que Bin Laden tornou-se símbolo da insurgência islâmica global. Alguns analistas começam a sugerir que, com a estranha ausência de Bin Laden do cenário internacional por tanto tempo, Zarqawi pode se tornar o líder internacional do movimento jihadista. Em um julgamento na Alemanha, uma testemunha disse que Zarqawi tinha determinado a seus seguidores que não cooperassem com a Al-Qaeda. Isso torna qualquer compromisso de lealdade um fato interessante. Mas pesquisar a história dos contatos entre Zarqawi e a Al-Qaeda envolve navegar em águas turvas. Documentos A mensagem divulgada em 17 de outubro alega que a Al-Qaeda e Zarqawi já estão em negociações há oito meses e que houve muitas interrupções antes que Tawhid e Jihad esclarecesse sua estratégia e fizesse sua oferta final de lealdade. Em janeiro deste ano, autoridades americanas disseram ter encontrado documentos de Zarqawi endereçados a Al-Qaeda, pedindo ajuda para fomentar uma guerra ente sunitas e xiitas no Iraque. A implicação era de que o grupo de Zarqawi é independente, mas estava em busca de apoio. Autoridades americanas dizem acreditar que a Al-Qaeda recusou tais propostas. Mesmo que essa nova mensagem fosse autenticada, qual seria seu significado? Muito está relacionado à questão de se a violência no Iraque está ligada a uma agenda jihadista maior ou se as suas raízes são internas.
Visibilidade As respostas a essas perguntas levam à questão se Zarqawi é realmente o todo poderoso cérebro por trás disso, como ele muitas vezes é descrito. Alguns questionam se ele poderia realmente estar organizando muito da insurgência. Porém, ajuda aos Estados Unidos personalizar a insurgência e enfatizar o papel dos combatentes estrangeiros, porque cria a ligação com a Al-Qaeda, tornando menos evidente o sentido de um levante nacionalista contra a "ocupação" americana. Não é apenas a questão de outros exagerarem seu papel. O próprio Zarqawi tem se mostrado um adepto de usar a mídia. Ele tem usado mensagens de vídeo e capturado reféns para maximizar o impacto de suas ações, espalhando o medo, mas também elevando sua própria posição como o líder visível da oposição aos Estados Unidos e ao governo interino. No entanto, com estimativas da força numérica do Tawhid e Jihad variando entre 20 e 500, é improvável que a organização seja o motor por trás de ataques menores que constituem o centro da insurgência. Estimativas da força de toda a insurgência indicam que entre 20 mil e 40 mil pessoas estejam envolvidas, o que põe o grupo de Zarqawi no seu contexto. Evidências recentes também indicam a possibilidade de que forças leais ao antigo regime do Partido Baath podem ainda ter um papel mais ativo do que vem sendo dito, mesmo que seja em colaboração com Zarqawi. Insurgência multicor A realidade é que, mesmo que ele seja responsável por muitos dos ataques que reivindica, Zarqawi e seu grupo seriam incapazes de operar sem o apoio de comunidades locais. A insurgência no Iraque é feita de combatentes que vão desde islâmicos com uma agenda global até iraquianos que lutam para vingar suas famílias ou comunidades, com uma variedade de tonalidades entre os dois e diferentes graus de cooperação entre grupos diferentes, em lugares diferentes. Os Estados Unidos e o governo interino do Iraque torcem para que os recentes sinais de que moradores de Falluja estão ainda mais revoltados com a presença de combatentes estrangeiros e fizeram deles um alvo sejam justamente um começo de recusa a apoiar Zarqawi e outros. No entanto, outros alertam que um ataque a Falluja só vai aproximar as diferentes facções novamente. A possibilidade de um ataque iminente pode ser a razão para que Zarqawi tenha apelado a Bin Laden, mas, como tal, pode ser tanto um sinal de força quanto de desespero. |
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