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Atualizado às: 07 de outubro, 2004 - 21h16 GMT (18h16 Brasília)
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São Paulo é 2ª melhor cidade para terceirização, diz estudo

São Paulo
São Paulo leva vantagem na oferta de trabalhadores
A cidade de São Paulo é a segunda melhor do mundo para a terceirização de trabalhos de um país para o outro quando são levadas em conta a oferta de trabalhadores e a qualidade da mão-de-obra, segundo um estudo realizado por uma empresa de serviços imobiliários com escritórios ao redor do mundo.

A pesquisa da Jones Lang LaSalle coletou dados de 19 cidades e os analisou com base em três cenários para comparar o potencial de cada cidade: um relacionado ao custo, outro à mão-de-obra e um terceiro levando em conta o tamanho do mercado.

São Paulo ficou em segundo lugar, atrás apenas de Manila, nas Filipinas, no segundo cenário, relacionado à mão-de-obra.

"Foi uma surpresa para nós vermos São Paulo com um desempenho tão positivo porque, normalmente, os países mais populares para a terceirização, como sabemos, são a China, a Índia e as Filipinas por razões muito ligadas ao fator custo", disse Jeremy Kelly, um dos autores do estudo.

De acordo com Kelly, São Paulo e mesmo outras cidades brasileiras como Curitiba e Porto Alegre oferecem uma mistura mais ampla de fatores vantajosos, apesar de o ponto forte ser a mão-de-obra disponível.

"Essas cidades satisfazem os três requerimentos chave: primeiro, custo baixo em termos de força de trabalho, serviços básicos, telecomunicações e ofertas no setor imobiliário. Segundo, oferecem uma força de trabalho relativamente bem educada e, terceiro, têm um mercado interno crescente", afirma Kelly.

Qualidade de vida

O vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Washington, Mark Smith, diz também que a qualidade de vida no Brasil já foi citada como um fator decisivo por uma empresa buscando um outro destino para terceirização.

"Eles tinham que escolher entre Bangalore, na Índia, e São Paulo, e afirmaram que a boa qualidade de vida em São Paulo era um fator importante", afirma.

Smith concorda que a qualidade da formação de mão-de-obra no Brasil é relativamente superior à existente em outros países em desenvolvimento e cita como exemplo a existência de uma mão-de-obra qualificada na área de engenharia eletrônica. Mesmo assim, ele diz que o Brasil "não pode ficar parado".

"Para que esse setor (de terceirização externa) cresça, é preciso um investimento por parte do governo brasileiro, de governos municipais e estaduais no ensino. É um desafio para o futuro criar mais condições para que novos conhecimentos técnicos sejam adquiridos", afirma.

Segundo o estudo realizado pela Jones Lang LaSalle, fatores ligados à questão financeira também podem ser um especilho como os impostos altos e a falta de confiança nas leis de propriedade intelectual como problemas.

A pesquisa indica que outras cidades da América Latina, como a Cidade do México e Buenos Aires, também apresentam um cenário positivo em relação à oferta de trabalhadores e qualidade da mão-de-obra.

Esse tipo de perfil pode atrair empresas que estejam interessadas em terceirizar externamente serviços como resolução de disputas e finanças corporativas.

Redução de custos

O setor de terceirização externa de trabalhos deve crescer nos próximos anos, com 75% das principais empresas de serviços financeiros possivelmente terceirizando serviços em outros países até 2006.

Ainda que especialistas identifiquem uma mudança de atitude em relação à terceirização externa, com determinadas empresas buscando a alternativa como uma estratégia de mercado, a redução de custos continua sendo o principal fator que leva à terceirização.

É o caso da empresa Cinemaware, uma companhia americana de desenvolvimento de video games com sede na Califórnia.

No ano passado, depois de produzir o jogo Robin Hood, Defender of The Crown nos Estados Unidos, o dono da empresa, o empresário brasileiro Lars Batista, decidiu transferir a sua produção do Vale do Silício para a Espanha.

"Aqui nos Estados Unidos, a mão-de-obra estava muito cara. Na Espanha, os custos eram mais baixos", explicou Batista, que contratou uma empresa de Madri para a produção do jogo High Rollers Casino.

Ainda assim, Batista explica que a tendência é que os custos de produção dos jogos fiquem cada vez mais altos. "O crescimento nas vendas não acompanha o aumento dos custos. Então, não tem jeito, é preciso encontrar uma solução para se manter no mercado", disse.

A solução para garantir os lucros da empresa foi transferir a produção para o Brasil. Não para São Paulo, mas para o Rio de Janeiro. A expectativa do empresário é de cortar os curtos em até 50%.

"Não há diferença entre São Paulo e Rio de Janeiro nessa área de tecnologia da informação. O importante é que o Brasil tem uma mão-de-obra qualificada e mais barata do que os Estados Unidos e a Europa. Esse primeiro projeto será produzido no Rio, mas outros podem ser feitos em São Paulo", disse.


*Colaborou Eric Câmara

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