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Aproximar-se do povo é o maior desafio de Karzai, diz jornalista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As primeiras eleições presidenciais do Afeganistão acontecem no próximo sábado, dia 9 de outubro. Mas nada muda muito para Hamid Karzai, claramente o candidato favorito. Quase todo o mundo em Cabul sabe quando Karzai está nas ruas da cidade, trabalhando. Soldados e oficiais de inteligência invadem as ruas e várias áreas da cidade são bloqueadas. Há ainda os Humvees - como são conhecidos os jipes blindados usados por militares americanos, que reforçam a segurança do líder interino do Afeganistão. A parafernália americana faz parte da vida de Karzai que, além de favorito para as eleições de sábado, é considerado um ídolo pela comunidade internacional. Campanha Apesar de cartazes com a imagem de Karzai terem sido espalhados por Cabul e outras partes do Afeganistão, o atual líder do país não faz campanha. "Ele anda muito ocupado liderando o país", afirmam os seus assessores.
Hamid Karzai vem tentando visitar cada vez mais as províncias do Afeganistão, um país que ainda está longe da paz. No último domingo, um foguete que tinha como alvo o helicóptero em que viajava Karzai foi abatido. O crime não impediu que o presidente visitasse, no mesmo dia, a inauguração de uma obra de estradas no noroeste do Afeganistão. Para a grande quantidade de jornalistas que acompanhava o líder do Afeganistão, a operação mostrou a dificuldade que Karzai tem de se locomover. Depois de ter nossas roupas checadas e um cachorro cheirar o nosso equipamento, ganhamos a tão importante credencial que nos dava direito de acompanhar Karzai na visita.
As instruções no verso da identidade são claras: "Voltem assim que a missão estiver completa". Uma escolha de palavras apropriada: estávamos em uma missão semelhante à uma operação militar. Escoltados por um ônibus, nós esperamos em um hangar por Hamid Karzai. Pouco depois, ele chegou de helicóptero, vindo do palácio presidencial. Saudações e seguimos viagem para uma região no norte do Afeganistão, que ninguém sabia realmente qual era. Karzai fez jus ao título de "o homem mais elegante do mundo", dado a ele pelo ex-estilista da Gucci Tom Ford. Além do chapéu, sua marca registrada, Karzai portava um cachecol e um casação de seda verde e azul. Dois helicópteros partiram pelos vales afegãos. No destino, um pedaço de uma estrada remota com uma tenda. Karzai é saudado por um coro de meninas, por um general local e um outro militar, o general Adbul Rashid Dostum, também candidato à presidência. O contraste entre os dois não poderia ser maior. Dostum, um líder da etnia uzbeque, tem um discurso nervoso e incoerente. Não é hora, no entanto, para falar de política, já que o evento é para celebrar a realização da obra da estrada. Confusão Enquanto todos assistiam, veio a confusão. Seguranças empurravam e expulsavam qualquer um que chegasse perto. Um cameraman leva um soco quando tenta filmar Karzai. Um dos seguranças particulares americanos contratados para fazer a segurança de Karzai bate em um afegão. Só mais tarde sabemos que o agredido era, na verdade, o ministro dos Transportes. Os acontecimentos me levam a pensar sobre qual deveria ser o equilíbrio entre a segurança e a política afegã. Depois de 25 anos tortuosos, o país vive o seu maior momento atualmente com a possibilidade de os afegãos escolherem democraticamente o seu líder. Mas há uma impressão geral de que líderes ainda estão distantes de seu povo. Sendo assim, será que o povo pode fazer uma escolha consciente? Isso não deixa de ser embaraçoso para Karzai, um homem charmoso, carismático cujo rosto se ilumina quando conhece pessoas novas. Karzai responde a perguntas com eficácia quando é sabatinado. Mas se expõe pouco. Será que a segurança no Afeganistão não melhoraria se ao povo fosse dado um gostinho real do que é a democracia? Por enquanto, em Cabul, o que mais se vê de Karzai é o seu carro sendo escoltado. O que, aliás, provoca um grande engarrafamento. |
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