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Atualizado às: 08 de setembro, 2004 - 18h53 GMT (15h53 Brasília)
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Mostra retrata fuga de judeus do Brasil para NY

O centro judaico que sedia a exposição
O centro judaico em Nova York que sedia a exposição
O Centro de História Judaica de Nova York inaugura nesta quarta-feira, dia 8, a mostra No Porto de Pernambuco, a Porta para Nova York.

Através de uma centena de peças, entre painéis fotográficos, mapas, vídeos e artefatos arqueológicos, a exposição reproduz a vida cotidiana da primeira colônia judaica nas Américas, fixada na região de Olinda e Recife durante a invasão holandesa do século 17.

Idealizada e promovida pelo Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, a mostra também narra a história da fuga, em 1654, de 23 judeus do porto do Recife com destino a Nova Amsterdã, hoje a cidade de Nova York.

O grupo de judeus, que incluía oito casais, além de crianças e idosos, resolveu deixar o Brasil depois da expulsão dos holandeses pela Coroa Portuguesa.

Escavação

Sentindo-se ameaçados pela perseguição religiosa decretada pelo tribunal da Inquisição, os judeus que partiram para os Estados Unidos viriam a fundar a primeira colônia judaica na América do Norte.

Esse período histórico foi revelado pelas escavações realizadas há seis anos na sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife.

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O salão restaurado da sinagoga Kahal Zur Israel

Entre as peças encontradas no local, e agora exibidas em Nova York, encontram-se fragmentos de louça com emblemas judaicos, tijolos holandeses e ferramentas utilizadas nos engenhos de cana de açúcar da época.

"A mostra funciona como uma história através do olhar, empreendendo um diálogo entre imagens e texto", diz a antropóloga Tânia Kaufman, diretora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco e curadora da exposição.

Narrada cronologicamente, a exposição começa com o primeiro desembarque de judeus sefarditas (originários da Península Ibérica) no Brasil, já no século 16.

Expulsos da Europa e do norte da África em função da perseguição religiosa movida pela Igreja, esses primeiros colonos judeus, forçados a se converter ao catolicismo, eram chamados de "cristãos novos".

Mas, assim como os demais judeus que viriam a se estabelecer no Brasil nos séculos seguintes, os primeiros colonos continuavam a professar a fé judaica secretamente.

Tània Kauffman
Para a curadora Tânia Kauffman, a mostra funciona como uma história através do olhar

Numa segunda fase, a mostra enfoca a invasão holandesa ao Nordeste brasileiro e o momento de florescimento cultural e liberdade religiosa experimentado pelos judeus durante os sete anos do governo de Maurício de Nassau.

"O período de Nassau é um marco nessa história porque estabeleceu os marcos daquilo que hoje entendemos por cidadania", diz Tânia Kaufmann.

"Ele libera a prática de qualquer religião e de qualquer etnia. Ele consolida a convivência dentro da diversidade cultural."

A mostra termina reproduzindo a fuga de navio dos 23 judeus para Nova Amsterdã, então um modesto entreposto comercial holandês.

Em Nova Amsterdã, eles fundaram a congregação Shearith Israel, os Remanescentes de Israel. Ainda hoje, a congregação mantém viva a memória judaica na Europa e nas Américas.

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