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Atualizado às: 07 de setembro, 2004 - 10h15 GMT (07h15 Brasília)
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Putin compara chechenos a Bin Laden e rejeita inquérito
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Em entrevista a jornalistas estrangeiros, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que rejeita um inquérito público sobre o fim do seqüestro na escola em Beslan, que resultou na morte de 335 pessoas.

Segundo o jornal The Guardian, da Grã-Bretanha, Putin também diz que pessoas que pedem que o governo russo negocie com líderes chechenos "não têm consciência".

"Por que vocês não se encontram com Osama Bin Laden e o convidam para ir a Bruxelas ou à Casa Branca para negociações e perguntam a ele o que ele quer e depois dão o que ele pede, para que ele os deixem em paz?", indaga o presidente russo, com ironia.

O The Independent, da Grã-Bretanha, reproduz as principais críticas que a imprensa russa fez à forma como o governo da Rússia lidou com o caso.

Praticamente todos os pontos da versão oficial para o fim do seqüestro foram contestados pelos jornais.

- "A tragédia não começou com uma explosão detonada por militantes, mas com tiros disparados por um vigilante que queria evitar que as tropas do governo entrassem na escola."

- "As tropas de elite não estavam na porta da escola, mas treinavam uma invasão em outra escola próxima."

- "Os militantes não se mostravam contrários à negociação. Eles tinham concordado com a libertação de algumas mães e bebês."

- "As autoridades ainda não apresentaram os corpos de 10 árabes que, segundo o governo, estavam entre os seqüestradores."

Análise

Na Rússia, as críticas à forma como o governo lidou com a crise são acompanhadas por uma análise da sociedade russa.

O Komsomolskaya Pravda diz que analistas vêem o discurso televisado de Putin no sábado como "um ato de penitência política".

Isso, segundo o jornal, se manifestou em frases como "nós paramos de prestar atenção a questões como defesa e segurança". Então, o jornal pergunta: "Quando ele diz 'nós' está se referindo a si mesmo e à sua equipe ou aos russos em geral?"

O Nezavisimaya Gazeta refere-se ao apelo que o presidente fez por união nacional e diz: "O governo tem que mudar sua forma de ser se quiser que nós nos reunamos a seu redor."

Já o Krasnaya Zvezda critica o que chama de "indiferença e passividade de uma parte significativa da sociedade russa".

"Durante os primeiros dias trágicos de setembro, nossos canais de TV continuaram a exibir novelas, enquanto restaurantes e cassinos em Moscou e outras cidades ricas continuaram cheios com clientes alegres que não dão a menor importância sobre o futuro da Rússia ou a segurança de seus cidadãos ordinários", afirma o jornal.

Tucuruí

Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times traz uma reportagem em que diz que as árvores submersas pela represa de Tucuruí, na Amazônia, se tornaram um problema

Segundo a reportagem, a vegetação em decomposição resultou na emissão de toneladas de gases que causam o efeito estufa. Além disso, o jornal cita cientistas que afirmam estar preocupados porque a crescente acidez da água pode corroer as turbinas da represa.

Tucuruí foi construída há 20 anos e custou US$ 8 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões). Para resolver o problema, mergulhadores locais cortavam as árvores e ganhavam até R$ 900 por mês com o trabalho.

O The New York Times afirma que no começo deste ano, a Eletronorte, que administra a represa, determinou a suspensão dos cortes. O jornal diz que a Eletronorte afirmou que os empreiteiros não estavam cumprindo seus contratos. E a Eletronorte passou a ver benefícios ambientais em deixar as árvores submersas.

A reportagem afirma que num esforço para dobrar a capacidade de geração da represa, novas turbinas estão sendo instaladas. Mas, de acordo com o jornal, críticos prevêem que com a interrupção dos cortes o problema vai se intensificar.

O jornal The Christian Science Monitor, também dos Estados Unidos, publica uma reportagem sobre trabalho escravo na Amazônia.

A reportagem cita números do governo brasileiro, que afirma que 40 mil escravos - "a maioria pobre, sem estudos e sem qualificação" - trabalham no país, sob condições brutais.

O repórter do jornal acompanha o trabalho de uma das Unidades Móveis Antiescravidão em uma batida na Floresta Amazônica.

A reportagem afirma que apesar dos esforços do presidente Lula em combater a escravidão, o problema esbarra em obstáculos como a burocracia.

"A Suprema Corte brasileira gastou mais de um ano decidindo se o trabalho escravo está sob jurisdição federal ou estadual", diz o jornal.

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