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Aumento da produção de soja pode destruir o cerrado, diz WWF | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O crescimento da produção de soja brasileira pode levar ao desmatamento de um área de 220 mil km² num prazo de cerca de 15 anos, segundo o grupo ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A área é do tamanho da Grã-Bretanha e equivalente a cerca de 10% do cerrado brasileiro. As afirmações constam de um relatório divulgado nesta quinta-feira em Genebra. Nele, a WWF atribui a expansão da área de plantação de soja no Brasil ao crescimento da demanda por soja na China e na União Européia. Em decorrência do desmatamento, segundo o WWF, várias espécies de animais ameaçados perderiam o seu habitat. Entre elas, estão o tamanduá e a onça. “É preciso discutir mais o assunto, convencer os grandes consumidores a não comprarem nunca soja proveniente de áreas onde ocorreu desmatamento e estimular o cultivo em áreas que já foram utilizadas para outros cultivos”, diz Ilan Kruglianskas, coordenador do programa agrícola e meio-ambiente da WWF-Brasil - organização, que embora não tenha participado diretamente do estudo da WWF internacional, monitora a preservação ambiental no país.
“Quando se desenvolve uma região, isso deve ser feito de forma sustentável para que as conseqüências para o meio ambiente sejam controladas”, diz Kruglianskas. Trabalho O vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Macel Caixeta, discorda das conclusões do estudo. “O Brasil hoje tem condições de dobrar a suas produção de soja apenas utilizando as pastagens que já estão sendo usadas, sem a necessidade de se derrubar nenhuma árvore”, disse ele em entrevista à BBC Brasil. Para Caixeta, a tecnologia empregada atualmente para o cultivo da soja respeita o meio ambiente. “Esse negócio de destruir o meio-ambiente é coisa do passado. O agricultor sabe que precisa respeitar a terra para assegurar o sustento de sua família.” Kruglianskas admite que os grandes produtores tendem a respeitar mais a lei, por estarem bastantes expostos à imprensa. Os pequenos agricultores também seriam conscientes da importância da conservação. A situação, segundo ele, fica mais complicada com os produtores médios. “Eles são mais difíceis de controlar.” Caixeta diz que a CNA orienta o agricultor a não destruir o cerrado acima do que é permitido pela lei. “Além disso, a fiscalização por satélite do governo assegura que qualquer expansão irregular seja detectada imediatamente”, diz Caixeta. |
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