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Atualizado às: 01 de setembro, 2004 - 09h58 GMT (06h58 Brasília)
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Análise: Bush pode ter que mudar política externa no 2º mandato

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e soldados americanos
Para analistas, Bush terá que ser menos agressivo
Que forma poderá tomar a política externa do presidente George W. Bush caso ele seja eleito para um segundo mandato nos Estados Unidos?

A guerra contra o terror foi lançada há quase três anos, logo depois dos atentados de 11 de Setembro.

O perfil da política externa foi definido, e as invasões ao Afeganistão e ao Iraque vieram em seguida.

A disposição em usar a força militar foi dramática - e polêmica.

Mas, com a crise no Iraque pós-guerra, será que o entusiasmo do presidente foi controlado? Ou um segundo mandato será visto como uma licença para continuar?

Ideólogos

Com a violência no Iraque dominando as manchetes dos jornais americanos, alguns analistas apostam que os elementos neoconservadores no governo Bush e a visão de política externa agressiva e preventiva estão em declínio.

Segundo eles, a ênfase no segundo mandato seria reconstruir as relações internacionais prejudicadas e retomar o foco nas negociações diplomáticas.

Outros discordam. John Hulsman, da organização conservadora Heritage Foundation, aponta para o fato de que todos os principais ideólogos por trás da ação militar no Iraque permanecem no governo. Para ele, os neoconservadores estão apenas esperando o tempo passar.

Mas, com as tropas americanas tão comprometidas, eles podem não conseguir realizar o que desejam.

 Uma falta de confiança, um desejo de se retirar e pensar nos assuntos domésticos. Acho que isso teria grandes implicações globalmente. Acho que todos devem querer algo como sucesso no Iraque, se quisermos uma situação globalmente estável.
Gary Schimitt, da organização neoconservadora Projeto Para o Novo Século Americano

"Eles simplesmente não têm os recursos para fazer essas coisas. Então, eles podem até ganhar as eleições e permanecer no poder, mas vão ter que lidar com uma realidade que não vai permitir fazer tudo o que gostariam", diz ele.

"Então, eles vão bancar os durões, mas o problema é que não poderão agir, o que, obviamente, vai acabar por desacreditá-los."

Isso pode causar frustração. Especialmente porque muitos dos neoconservadores enxergam mais trabalho pela frente.

O Irã e a Coréia do Norte são freqüentemente citados como as ameaças mais iminentes.

Grande plano democrático

Gary Schmitt, da organização neoconservadora Projeto Para o Novo Século Americano, afirma que a recuperação rápida do Iraque é essencial.

"Acho que, se o Iraque fosse um desastre absoluto, nós veríamos a retirada das tropas americanas, o que seria, de certa forma, semelhante ao que houve no Vietnã", acredita ele.

"Uma falta de confiança, um desejo de se retirar e pensar nos assuntos domésticos. Acho que isso teria grandes implicações globalmente. Acho que todos devem querer algo como sucesso no Iraque, se quisermos uma situação globalmente estável."

"Espalhar a liberdade" tem sido um constante refrão de Bush.

O novo Iraque, claro, era para ser um exemplo brilhante.

O presidente também desenvolveu um grande plano para espalhar a democracia pelo Oriente Médio: A iniciativa do Grande Oriente Médio.

Mas a idéia foi praticamente abandonada depois da fria recepção de alguns aliados-chave dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita e o Egito. Eles viram o plano como uma perigosa interferência americana nos assuntos da região.

 Uma coisa diferente nesta administração é o intenso foco no Oriente Médio. Acho que, num segundo mandato, veríamos este foco mudar um pouco em direção à Ásia.
James Mann, autor de livro sobre o gabinete de Bush

Jim Hoagland, editor associado do jornal The Washington Post, afirma que a compulsão do presidente em "espalhar a liberdade" ainda é intensa, apesar das dificuldades.

"Estou convencido de que ele acha que esta visão é moralmente correta. Ele põe ênfase na frase 'a liberdade é um presente de Deus para o homem, talvez de Alá'."

Cansado de guerra

Um senso de realidade também pode forçar um segundo governo Bush a não olhar apenas a questão do Oriente Médio, mas também tratar de outros assuntos, fontes de crescente preocupação.

James Mann, autor de The Rise of the Vulcans, um livro sobre o gabinete de guerra de Bush, prevê mais diálogo com o Leste Europeu e com a Rússia. E mais atenção ao Extremo Oriente.

"Uma coisa diferente nesta administração é o intenso foco no Oriente Médio. Acho que num segundo mandato veríamos este foco mudar um pouco em direção à Ásia", afirma.

"Por quê? Por duas razões: Primeiro, a crise na Coréia do Norte, e segundo, a possibilidade de uma grande disputa em relação a Taiwan."

O presidente Bush pode ver o primeiro mandato como um triunfo sobre o terror, mas existe uma sensação de exaustão da política exterior, de uma operação militar esticada ao máximo a um povo cansado da guerra.

Então, a segunda fase, se vier, pode significar menos drama intervencionista e mais lenta e dolorosa consolidação.

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