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Futebol feminino aposta na juventude para vencer os EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A seleção brasileira disputa nesta quinta-feira, às 15h (horário de Brasília), a final do futebol feminino contra os Estados Unidos. Segundo o técnico da seleção, Renê Simões, as americanas seriam favoritas na final, mas o Brasil pode tirar vantagem da juventude de suas jogadoras. "As americanas são muito mais experientes. Têm dez jogadoras na equipe com mais de cem jogos pela seleção nas costas. O único detalhe é que a média de idade delas é de 30 anos. A nossa é de 23." A pressão por uma vitória numa final olímpica não afeta a seleção brasileira feminina de futebol, segundo ele. Simões, que assumiu o time em março, disse que as jogadoras aprenderam a lidar com situações adversas e que elas "passaram no teste emocional". Final inédita "Esses dois últimos jogos foram o teste para ver como anda o equilíbrio emocional da equipe, por causa do fantasma do quarto lugar em duas Olimpíadas", afirmou o técnico. Para Simões, "a semifinal é mais tensa do que a final, porque você está tentando garantir o pódio". Nas quartas-de-final, o Brasil venceu o México por 5 a 0 e depois bateu a Suécia por 1 a 0 nas semifinais. É a primeira vez que o Brasil disputa uma final no futebol feminino. Nas duas últimas Olimpíadas, as brasileiras foram derrotadas nas semifinais e também na disputa pelo bronze. Rivalidade O Brasil perdeu apenas uma partida nesta Olimpíada, justamente para os EUA, seu principal rival. A seleção foi bem nesse jogo. A zagueira Juliana disse à BBC Brasil que a partida foi importante para consolidar a confiança da equipe. "Nós vimos que nós temos condições de ganhar delas, que nosso time é bom", disse ela. "Elas continuam sendo o bicho-papão, têm títulos mundiais, medalhas de ouro, mas a gente está firme." Simões disse que as americanas venceram a primeira partida graças a "truques sujos". "Nós dominamos no primeiro tempo. No segundo tempo, elas usaram truques, que a técnica delas chamou de 'um jeito muito sofisticado de disputar um jogo físico'", disse ele. "Usar o cotovelo, chutar o tornozelo, pra mim isso não é sofisticação, é jogo sujo." A rivalidade entre as duas equipes é comparável à que existe entre as seleções masculinas de Brasil e Argentina. Futuro A seleção brasileira chega à final de uma Olimpíada num momento em que o futebol feminino luta para sobreviver no país. Os campeonatos não existem, os clubes fecharam seus departamentos femininos, e as únicas profissionais do país são as pertencentes ao grupo da seleção permanente. Várias jogadoras atuam no exterior, e as que ainda estão no Brasil esperam que a exposição oferecida pelos Jogos Olímpicos possa render em ofertas de clubes estrangeiros. "É que nem no futebol masculino, todo mundo quer jogar no exterior", disse Pretinha. "Lá tem mais valorização." "A gente espera que a situação no Brasil mude", disse Juliana. "A gente sofre preconceito, não tem incentivo nenhum. Se voltarmos ao Brasil com uma medalha, espero poder contar com mais apoio das federações e dos clubes." "A gente está fazendo a nossa parte, espero que os responsáveis pelo futebol no Brasil façam a deles", disse Pretinha. A atacante Marta teme que uma medalha de prata não seja suficiente para melhorar a situação do futebol feminino no Brasil. "Acho que a prata vai passar despercebida, brasileiro não quer saber se você foi vice, quer saber se você foi campeão", disse ela. "A gente quer ganhar esse ouro para que haja um progresso no apoio ao futebol feminino, para que ele não seja esquecido." "Espero que o presidente Lula assine essa lei de incentivo ao esporte, para que o esporte feminino tenha o valor que merece", disse Renê Simões. Autoconfiança O técnico diz que seu principal objetivo, desde que assumiu o cargo de treinador da seleção, era o de restaurar a auto-estima e a autoconfiança do grupo. "Me sinto vitorioso em ter conquistado isso", disse ele. As jogadoras são as primeiras a reconhecer a importância do técnico para o sucesso da equipe. "A chegada dele na seleção foi uma mudança enorme. Ele deu confiança para gente. A cada treino, a cada jogo, ele passa isso para gente", disse a atacante Marta. "Ele cuidou de tudo, da alimentação ao condicionamento físico, não faltou nada." |
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