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Falta de vento na raia em Atenas deixou Robert Scheidt tenso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O velejador Robert Scheidt passou por momentos de suspense e tensão no dia da conquista da primeira medalha de ouro para o Brasil. “Foi um dia muito tenso hoje. Eu olhava para o relógio para ver se dava 4 horas, o que tornaria impossível uma nova largada, mas no último minuto eles acabaram largando”, disse. A 11ª e última regata da classe Laser começou com uma hora e meia de atraso neste domingo por falta de vento. Depois de 20 minutos, a prova foi interrompida, novamente por falta de vento. Tensão Os velejadores aguardaram no mar. O regulamento estabelece a realização de uma nova largada no prazo de uma hora após a interrupção da regata. “Você precisa estar pronto para velejar a qualquer momento. Você fica em desvantagem psicológica se fica na torcida para que a regata seja anulada. É uma tensão constante”, afirmou. Vinte minutos após a segunda largada, a regata foi novamente interrompida. A regata só foi concluída após a terceira largada. Scheidt passou pela primeira das cinco bóias da corrida em 10º lugar, à frente de seus principais rivais, o austríaco Andreas Geritzer e o esloveno Vasilij Zbogar, respectivamente nas 14ª e 18ª posições. “Na passagem da primeira bóia, eu estava à frente dos adversários e senti que se não fizesse nenhuma bobagem muito grande eu ganharia”, disse Scheidt. O brasileiro foi melhorando sua colocação nas bóias seguintes, sempre mantendo seus adversários atrás. Ele terminou a prova em 6º lugar e concluiu a competição com 55 pontos perdidos, 13 à frente do segundo colocado, o austríaco Andreas Geritzer. “Fiz uma corrida de marcação em cima dele, mas não tão cerrada, foi uma marcação conservadora.” Lula Depois que cruzou a linha de chegada, Scheidt se jogou no mar. Com a bandeira dos Brasil nas mãos, ele dirigiu seu barco até a ponta da marina, onde aguardavam seus colegas da delegação de vela. “Estou nas nuvens, extremamente feliz e realizado, é hora de comemorar”, disse ele às dezenas de repórteres brasileiros que o esperavam. “Até é difícil pensar, dois ouros, uma prata, sete campeonatos mundiais... Estou muito feliz”, disse ele. Ele dedicou a conquista do bicampeonato olímpico à família. “Essa vitória é minha, mas é um trabalho de equipe. Quero dedicar esse bicampeonato a meu pai, minha mãe, meu avô e às pessoas que me ajudaram a realizar este sonho, minha famíla, meus patrocinadores e ao Cláudio Biekack (seu técnico), que sempre me ajudou”. A conversa com os repórteres foi interrompida por um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele me disse que foi uma vitória muito merecida por tudo o que fiz na minha carreira, que torceu muito pela minha vitória, que a vitória foi uma alegria muito grande para ele, e, em nome do povo brasileiro, agradeceu por tudo o que fiz”, disse Scheidt em seguida. Lenda Scheidt mais uma vez mostrou porque é tido como uma lenda viva do esporte. Ele conseguiu a vitória mesmo competindo em condições desfavoráveis. “É uma grande realização conseguir ser campeão olímpico com vento fraco. É meu ponto fraco. Fora duas regatas do evento, todas tiveram vento fraco, e eu me saí bem”, disse o brasileiro. O desempenho do heptacampeão mundial, medalha de ouro em Atlanta e prata em Sydney, nas águas da marina de Agios Kosmas, na costa sul de Atenas, foi marcado por regularidade. “O mais difícil foi manter essa regularidade. Mas consegui ser frio, manter a concentração, queria muto ganhar esse ouro”, disse Scheidt. Ao todo, 42 barcos participaram das 11 regatas. Scheidt venceu uma e chegou três vezes em terceiro lugar. Seu pior desempenho foi o 19º lugar na sétima regata, mas este resultado foi descartado da contagem de pontos - nas competições de vela, os atletas podem descartar o pior resultado. O pior resultado computado na contagem foi, portanto, o 12º lugar da oitava regata, a única colocação acima do décimo lugar que o brasileiro teve durante toda a competição. Essa regularidade acabou fazendo a diferença. Seus principais adversários, o austríaco Andreas Geritzer e o esloveno Vasilij Zbogar, tiveram três colocações de dois dígitos durante as 10 primeiras regatas, permitindo que Scheidt entrasse na prova de domingo com a vantagem de nove pontos. |
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