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Atualizado às: 13 de agosto, 2004 - 18h17 GMT (15h17 Brasília)
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Polícia britânica investigará bebês 'concebidos por milagre'
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As mulheres 'engravidadas por Deus' têm que dar a luz no Quênia
A Polícia Metropolitana britânica está investigando a chamada "concepção milagrosa", oferecida pela igreja Ministérios Gilbert Deya a casais que não conseguem ter filhos.

O líder da igreja, arcebispo Gilbert Deya, ora na frente das mulheres e as pronuncia "engravidadas por Jesus".

Depois disso, elas vão para o Quênia, onde dariam à luz em clínicas descritas como "de fundo de quintal" e voltam para a Grã-Bretanha com uma criança.

A Igreja Anglicana, o Royal College of Obstetrics and Gynaecology e a Unicef manifestaram preocupação com a prática e pediram investigações, depois que a história foi revelada por um programa da BBC.

Milagre ou tráfico?

Para os religiosos anglicanos e médicos do Royal College, as crianças seriam vítimas do tráfico de bebês.

"Queremos saber exatamente o que está acontecendo", afirmou Anna Miracow, da Unicef.

Em pelo menos um caso, foi descoberto que o DNA da criança não batia com o dos pais e que a certidão de nascimento queniana havia sido falsificada.

"Eu creio em milagres, mas não acredito que pessoas possam ter bebês miraculosamente com DNAs totalmente diferentes dos pais", disse o bispo de Monmouth, Dominic Walker.

No entanto, o arcebispo queniano Gilbert Deya, líder da igreja, afirmou que não há explicação para os "bebês milagrosos", mas disse não estar surpreso com o fato de o DNA deles ser diferente do dos pais.

"Eles vêm de Deus, e as coisas de Deus não podem ser explicadas pelo Homem", afirmou o pastor, que diz ter visto mulheres darem à luz depois da menopausa. Entre elas, uma mulher de 56 anos que teria tido 13 "bebês milagrosos" nos últimos três anos.

Exorcismo

Miriam e Charles Nyeko são um dos últimos casais a alegar ter sido beneficiados pela "concepção milagrosa" da igreja.

Miriam foi ao Quênia para ter o bebê, que já está com três semanas, e, na última conversa telefônica com o seu marido, se mostrou preocupada.

"Ela está em um estado terrível, não temos idéia do que vai acontecer. Não sabemos o que fazer", disse Charles Nyeko, que mora em Londres.

Nyeko acredita que a igreja da qual fazem parte operou um milagre na sua esposa, mas teme não poder trazer o filho, Daniel, de volta à Grã-Bretanha, já que as autoridades do Quênia exigem um teste de DNA para comprovar a identidade biológica do menino.

Os Ministérios de Gilbert Deya já têm 14 filiais na Grã-Bretanha, além de outras na África, Ásia e em outros países da Europa.

Deya já foi investigado pela Igreja Anglicana por realizar sessões de exorcismo em crianças pequenas.

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