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Atualizado às: 04 de agosto, 2004 - 08h00 GMT (05h00 Brasília)
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Laboratório quer digitalizar áudio do assassinato de Kennedy

O presidente John Kennedy, ao lado de sua mulher, Jacqueline, pouco antes de ser morto
John Kennedy, ao lado de sua mulher, Jacqueline, pouco antes de ser morto
A tecnologia de digitalização de sons pode ajudar a resolver um dos grandes mistérios envolvendo o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy: quantos tiros foram disparados no atentado.

O som do que aconteceu às 12h30 de 22 de novembro de 1963, o momento em que Kennedy foi baleado, ficou gravado, por acaso, na central de polícia de Dallas, porque um dos batedores que acompanhava a comitiva presidencial esqueceu ligado o rádio de sua moto durante todo o tempo.

O Laboratório Nacional Lawrance Berkeley, na Univeridade da Califórnia, está avaliando se é possível recuperar e analisar a única gravação em áudio feita no local. As conhecidas imagens do atentado, gravadas por um amador em um filme de 8mm, não têm áudio.

A principal pergunta que os pesquisadores têm de responder é quantos tiros foram disparados no momento do assassinato. Pela versão oficial foram três disparos, mas há quem alegue que quatro tiros foram ouvidos naquele dia.

Danos

"Ainda temos de determinar se a gravação pode ser digitalizada e filtrada. Se for tecnicamente possível, vamos fechar um contrato com Arquivo Nacional para fazer o estudo", disse o diretor de relações públicas do laboratório, Ron Kolb.

A fita foi ouvida e analisada tantas vezes (usando agulhas, como as de vitrolas) entre os anos 60 e 80 que o material começou a ficar gasto e a perder ainda mais qualidade.

Mas, apesar das décadas de tentativa, a gravação é tão precária e cheia de interferências que levantou mais dúvidas do que resolveu polêmicas.

Quando o Arquivo Nacional dos Estados Unidos ganhou a custódia do material nos anos 90, seus técnicos recomendaram que a fita não fosse mais ouvida para evitar sua destruição completa.

O desafio dos técnicos do Laboratório Lawrance é digitalizar o que está na fita e filtrar o som ao máximo, sem ter de tocar a peça com uma agulha.

"Estamos estudando se é possível escanear a fita e reproduzi-la no computador, sem correr o risco de danificá-la ainda mais", disse.

Controvérsia

A comissão do governo federal que investigou a morte de Kennedy concluiu, em 1964, que o presidente foi assassinado por um atirador solitário, Lee Harvey Oswald, que teria disparado três tiros de um depósito de livros próximo.

Mas, em 1979, uma Comissão da Câmara de Representantes afirmou, examinando a gravação que pode ser digitalizada agora, que um quarto disparo foi feito a partir de algum outro ponto.

A discrepância serviu para fortalecer os partidários das teorias conspiratórias. Muitos deles duvidavam desde o início que o assassinato de um presidente americano poderia ser culpa de um único homem.

A Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos emitiu em seguida um laudo afirmando que o que a comissão parlamentar pensou ser um quarto tiro não passava de interferência ou algum outro ruído.

Nada suficiente, no entanto, para acabar com as dúvidas de quem acha que o governo está acobertando alguma coisa.

O historiador da Universidade Georgetown, em Washington, Michael Kazin duvida que novos estudos acabem com a polêmica.

"Este é um assunto discutido há mais de trinta anos e cada um já tomou sua posição. Mesmo que esta análise prove que foram disparados três ou quatro tiros, os partidários de cada teoria vão achar novos motivos para defender suas posições", disse o historiador.

Partidários da teoria conspiratória têm uma lista extensa de suspeitos, que inclui, entre muitos outros, o vice-presidente de Kennedy, Lindon Johnson, e o presidente cubano, Fidel Castro.

No filme JFK, de 1992, o diretor Oliver Stone conseguiu reacender a discussão, que começava a se enfraquecer, sugerindo que os culpados estariam na indústria militar dos Estados Unidos.

Importância

Como historiador, Kazin louva o esforço para decifrar o que está na gravação, mas ele observa que, décadas depois, a verdade, mesmo que revelada, tem pouco significado prático.

"Acho que até o fim dos anos 80 ainda havia muito mais interesse nesse assunto. Depois disso, o tema começou a entrar na categoria das curiosidade históricas", diz.

O professor diz que dois historiadores, Max Holland e Gerald Posner, lançaram recentemente livros sobre o assunto, nos Estados Unidos.

Holland defende que Lee Harvey Oswald não poderia ter assassinado Kennedy sozinho e Posner afirma que todas as provas mostram que foi isso o que aconteceu.

"São dois ótimos historiadores, e os livros deles são muito bem pesquisados e embasados. Mas, como acontece há mais de trinta anos, ele chegam a conclusões diferentes", disse.

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