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Atualizado às: 26 de julho, 2004 - 11h36 GMT (08h36 Brasília)
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Menino entra com ação para se 'divorciar' do pai nos EUA

Patrick Holland
Patrick Holland não quer mais saber do pai
Um menino de 14 anos nos Estados Unidos pode se tornar o primeiro menor a se "divorciar" do pai.

A mãe de Patrick Holland, Liz, foi morta pelo pai, Daniel Holland, de quem estava separada, em outubro de 1998.

Foi um assassinato brutal - Daniel Holland arrombou a porta e entrou na casa dela na cidade de Quincy, no Estado de Massachusetts, perseguiu Liz escada acima, atirou nela oito vezes com uma espingarda e depois golpeou sua cabeça com a coronha da arma antes de abandonar o corpo, que o filho encontrou na manhã seguinte.

Patrick disse que acredita que seu pai perdeu o direito de paternidade por causa do que fez naquela noite.

Holland cumpre pena de prisão perpétua sem direito a liberdade condicional no presídio de Souza-Baranowski.

Mas até que Patrick complete 18 anos de idade, seu pai tem o direito de ter acesso ao seu boletim escolar e até aos registros sobre suas sessões de aconselhamento psicológico com um terapeuta.

Pátrio poder

Patrick está profundamente ressentido com o ocorrido e, nesta segunda-feira, seus advogados vão comparecer perante um tribunal em Canton, Massachusetts, para tentar tirar o pátrio poder de Daniel Holland sobre o filho.

Depois que sua mãe foi assassinada, Patrick mudou-se para a casa de um casal amigo dela, Ron e Rita Lazisky. Desde então eles se tornaram seus tutores depois de uma batalha judicial por sua custódia com os avós paternos de Patrick.

Lazisky, um engenheiro químico de 51 anos de idade com quatro filhos já adultos, disse: "O pai de Patrick pediu informações sobre como ele estava indo na escola, especialmente em esportes, e como estavam indo as sessões de terapia dele."

"Patrick disse que ele não queria que ele soubesse mas assistentes sociais disseram que tinham que cumprir a lei. Eles não tinham escolha", disse Lazisky.

"Pode-se dizer: 'Porque se incomodar (com isso) se ele tem que esperar apenas quatro anos (pela maioridade)?' Mas para um adolescente quatro anos parecem ser uma eternidade."

"O pai tirou dele sua mãe de uma maneira brutal e ele quer dizer: 'Eu não quero ter nada a ver com você'."

"Ele é um grande garoto. Ele é inteligente e bem articulado e amadureceu muito mais do que sua idade. Ele perdeu muito da infância. Ele tinha apenas oito anos quando (o assassinato) ocorreu."

Separados

Os pais de Patrick estavam separados e em vias de obter o divórcio quando sua mãe foi morta.

Ela conseguiu uma ordem judicial para impedir sua aproximação, mas Holland arrombou a porta da casa de Liz depois de quebrar uma janela com uma sacola de tacos de golfe.

Lazisky disse que um dos tiros dados por Holland podia ter atravessado a parede e atingido seu filho, que dormia.

Lazisky contou que Liz retonou os estudos e conseguiu um diploma que permitia a ela trabalhar como enfermeira em cirurgias, cuidando financeiramente de Patrick.

"Ela estava tentando reconquistar sua auto-estima e sua independência", disse o tutor de Patrick.

Há três anos, Patrick tinha uma visita marcada na prisão, para ver o pai. Ele queria confrontá-lo em relação ao assassinato da mãe.

A visita, contudo, foi cancelada, quando o advogado de Holland insistiu em estar presente durante o encontro.

Sem precedentes

Lazisky disse que o caso é sem precedentes. "Agências do governo tiram o pátrio poder de pais com freqüência, mas o que torna essa uma decisão histórica, se for bem sucedida, é que o menor é que entrou com o pedido."

No começo deste ano, um juiz em Massachusetts rejeitou o caso, alegando que ele deveria ter sido apresentado em New Hampshire, onde Patrick está vivendo.

Mas o Departamento de Serviços Sociais de Massachusetts decidiu se pronunciar e o juiz Robert Langlois mudou de idéia.

Patrick terá que dar depoimento no tribunal sobre seus sentimentos em relação ao pai.

O caso pode durar até setembro.

A advogada de Holland não estava disponível para comentar o caso mas sabe-se que seu cliente está determinado a mater o pátrio poder.

O estúdio cinematográfico Twentieth Century Fox acompanha o caso de perto e está em negociações para fazer um filme sobre o caso de Patrick.

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