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ONGs se reúnem em Boston para criticar democratas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nas últimas semanas, os políticos republicanos têm atacado os adversários democratas dizendo que a convenção do partido, que começa nesta segunda-feira em Boston, está dando voz apenas para as figuras mais à esquerda da organização. É uma referência a políticos como os ex-presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter e os senadores Edward Kennedy e Hillary Clinton, que têm horários nobres reservados para seus discursos. Mas a poucos quilômetros do Fleet Center - onde acontece até quinta-feira a convenção democrata - ONGs realizaram, entre a sexta-feira e o domingo, o Fórum Social de Boston, na Universidade de Massachussets, no qual a maioria dos 2 mil participantes considera o Partido Democrata muito conservador. "O Partido Democrata não é de esquerda. Há no partido setores que são de centro-direita e outros de centro, mas acho que ainda há grupos com os quais nós, que somos mais à esquerda e internacionalistas, podemos dialogar", disse Maria Aguiar, uma brasileira que mora nos Estados Unidos há mais de 30 anos e tem cidadania e título de eleitor americanos. "Nas eleições deste ano faço parte da coalizão que quer ver George Bush fora da Casa Branca, porque ele é claramente o candidato das grandes empresas. Embora não seja o ideal, acho que com os democratas, nós, da esquerda, vamos ter mais possibilidades de organização", disse. Agenda Não é por acaso que o Fórum Social de Boston aconteceu na mesma cidade da convenção democrata e às vésperas do encontro do partido. "A idéia é tentar levar aos democratas propostas de uma agenda mais progressista para estas eleições", explica uma das organizadoras do fórum, Bárbara Salvaterra, da ONG Empregos com Justiça.
"Queremos reproduzir o diálogo entre pessoas e organizações progressistas que acontece no Fórum Social Mundial. Buscamos alternativas contra a globalização corporativa e a agenda neo-liberal", explicou. Com o desemprego em alta e muitos americanos culpando os acordos comerciais assinados pelos Estados Unidos pelo problema, propostas de livre comércio também não devem ser muito bem vindas na Convenção Democrata. Democratas e Republicanos sabem que elogiar a idéia da Área de Livre Comércio das América (Alca) não vai atrair muitos votos este ano. Mas as cerca de duas mil pessoas que participaram das 600 oficinas realizadas na Universidade de Massachussets são ainda mais radicais. MST São americanos e também muitos imigrantes que vieram ouvir palestras de ativistas, como o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) no Paraná, Paulo de Marck. "A Alca, na verdade, é uma estratégia dos Estados Unidos de recolonização da América para servir os interesses das 200 maiores empresas do mundo. É uma recolonização e militarização da América Latina", disse o líder do MST. O brasileiro também não acredita que faça grande diferença o nome do ocupante da Casa Branca, mas espera que nestas eleições os americanos prefiram o democrata John Kerry. "Bush é o candidato das grandes corporações", diz. Independentes Nem todos os ativistas de esquerda, no entanto, concordam que Kerry seja melhor do que Bush. Destes, grande parte vota em Ralph Nader, candidato sem chances reais de vitória que nas últimas eleições se candidatou pelo Partido Verde e este ano está na disputa como independente. "Eu vou votar em Ralph Nader porque acho que Kerry também não traria as mudanças que precisamos", disse o estudante Yochai Gal. "Quero sair da cabine de votação com a consciência limpa de que fiz o que acredito ser a coisa certa." |
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