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Atualizado às: 22 de maio, 2004 - 23h45 GMT (20h45 Brasília)
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Moore 'agradece' a Bush e Rumsfeld por Palma de Ouro

Michael Moore
Moore quer que os americanos vejam o filme antes das eleições
Michael Moore fez um agradecimento bem-humorado ao elenco de seu filme - o presidente americano, George W. Bush, o vice-presidente, Dick Cheney, e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld - durante a entrevista coletiva logo depois de receber a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.

O diretor do documentário Fahrenheit 9/11 concordou com um dos jornalistas e afirmou que sua obra poderia até ter mais impacto se fosse ficção, mas então lembrou que no começo do filme há uma cena de George W. Bush colocando maquiagem, como um ator.

"Eu esqueci de agradecer ao meu 'elenco' quando estava no palco. Gostaria de agradecer a todos vocês, Bush, Cheney, Rumsfeld, obrigado. Bush tem as melhores falas, sou muito grato a ele", afirmou.

Quando perguntado o que o presidente Bush pensaria ao ver um documentário que faz tantas críticas a ele e a sua administração ganhando um prêmio como a Palma de Ouro, a resposta de Moore foi ainda mais bem-humorada.

"Ele nem sabe o que é isso! Que horas são agora nos Estados Unidos, duas horas da tarde? Ele nem está na Casa Branca, deve estar em Camp David comendo pretzels. Mas acho que ele sempre se orgulha quando vê um americano ganhando um prêmio internacional", disse.

Franceses

Moore disse que apenas a imprensa de direita dos Estados Unidos vai ver sua premiação como apenas um prêmio dado pelos franceses para fazer oposição aos Estados Unidos, como fizeram durante a guerra no Iraque.

"A verdade vai ser dita por outra parte da imprensa. E o júri não era francês, dos nove membros, apenas um é francês, quatro são americanos. Espero que os jornalistas dos Estados Unidos contem como foi."

"Se não fossem os franceses, nós (americanos) não estaríamos aqui. Eles nos ajudaram em nossa revolução. A estátua que saúda todos os que chegam a Nova York foi nos dada de presente pelos franceses, para celebrar nossa liberdade", disse.

Moore afirmou que os franceses tentaram ser bons amigos dos americanos, referindo-se à oposição da França à operação no Iraque.

"Eles (franceses) nos disseram o que era errado, e nós não ouvimos nossos bons amigos. Agora, os americanos perceberam o quanto nossos amigos tentaram nos ajudar. Devemos desculpas aos franceses pelo tratamento dado a eles por nossa imprensa", afirmou.

Distribuição

Quanto à distribuição do documentário nos Estados Unidos, Moore se disse otimista.

"Harvey Weinstein (presidente da Miramax) está negociando com a Disney para comprar de volta os direitos de distribuição. Esta negociação está indo bem, estou otimista, acho que vamos conseguir fechar esta questão ainda esta semana", disse.

O jornalista que perguntou pela distribuição, um americano, afirmou que estava disposto a iniciar um movimento nos Estados Unidos para que todos pagassem para que o filme fosse distribuído.

"Você não precisa fazer isso, dê o seu dinheiro para a campanha de um bom candidato", respondeu Moore.

Política

Apesar de seu documentário fazer muitas críticas ao presidente George W. Bush e à guerra no Iraque, Moore negou que sua primeira intenção ao fazer o filme era a de fazer política.

"Não queria fazer política, queria apenas fazer um bom filme. Quem coloca a política antes do cinema acaba com um filme que ninguém vai ver. Se alguém sair da sala de cinema pensando diferente, com mais esperança de mudança, ótimo."

O presidente do júri, Quentin Tarantino, falou fora do microfone com Moore no palco do Lumière, na hora em que entregou a Palma de Ouro ao diretor, e muitos queriam saber o que ele tinha dito.

"Quentin (Tarantino) me disse: 'Queremos que você saiba que a política não teve nada a ver com isso. Neste júri há políticas diferentes, e alguns de nós nem têm nenhuma política. Este prêmio foi dado porque você fez um grande filme e queremos que você saiba disso, de um cineasta para outro'. Foi isso o que ele me disse, espero que Quentin não se importe de eu contar isso para vocês."

Moore terminou sua entrevista falando que ainda estava em estado de choque por causa do prêmio, algo que ele nunca esperava ganhar.

"Quando nos convidaram, há dois anos, ficamos honrados. O mesmo desta vez. Os filmes que foram exibidos aqui esta semana são tão incríveis, e o festival tem a tradição de premiar longas de ficção, o meu é um documentário. Só quero agradecer a todos", afirmou Moore.

Michael MooreFahrenheit 9/11
Michael Moore acusa Casa Branca de 'tentar proibir' filme.
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