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Governo do Paquistão ordena 'pausa' em cerco a mesquita | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, pediu nesta sexta-feira às forças de segurança que "sejam pacientes" e permitam a saída de mulheres da Mesquita Vermelha, na capital do país, Islamabad, onde estudantes islâmicos radicais resistem ao cerco de soldados e policiais desde terça-feira. Musharraf ordenou a suspensão temporária das operações das forças de segurança no complexo, que inclui a mesquita e dois colégios islâmicos (madrassas), um para homens e outro para mulheres. Na quinta-feira, o principal líder da mesquita, Ghazi Abdul Rashid, disse que ele e centenas de estudantes estavam prontos para se render caso as forças de segurança parassem de atirar e não os prendessem. A oferta, no entanto, foi rejeitada pelas autoridades paquistanesas. Pelo menos 19 pessoas já morreram nos confrontos, iniciados na terça-feira. A área da mesquita foi isolada pelas forças de segurança e há três dias tem sido palco de tiroteios e explosões. Condições Em uma entrevista por telefone transmitida pela TV paquistanesa, Abdul Rashid explicou os detalhes de sua proposta de rendição. "Se eles (os estudantes entrincheirados na mesquita) estiverem ligados a qualquer organização banida, isso pode ser verificado. (...) os que não tiverem nenhuma ligação devem ser deixados livres", disse. O clérigo pediu também garantias de segurança para ele e sua família. Segundo o vice-ministro de Informação do Paquistão, Tariq Azim Khan, o governo não aceitou as condições de Abdul Rashid. O ministro disse que o clérigo e os estudantes que ainda permanecem no complexo deverão entregar as armas incondicionalmente, como fizeram as mais de 1,1 mil pessoas que já deixaram a mesquita nos últimos dois dias. "Ele deve permitir que todos saiam, mulheres e crianças. Ele pode sair com eles ... ninguém vai atirar neles. Ele deve se render... Se houver acusações contra ele, deixemos que a Justiça decida", disse o ministro. Khan afirmou que há várias acusações criminais contra o clérigo. O ministro já havia acusado os líderes islâmicos da mesquita de usar mulheres e crianças como escudo humanos. Resistência O governo acredita que entre 300 e 400 estudantes permanecem entrincheirados na mesquita. Desses, cerca de 50 são militantes radicais, segundo o ministro do Interior, Aftab Sherpao. Nos últimos meses, os estudantes do complexo de madrassas ligado à Mesquita Vermelha vêm desafiando abertamente as autoridades paquistanesas, fazendo uma campanha em favor da adoção da sharia (lei islâmica). Eles também são acusados de cometer crimes como a ocupação de prédios públicos e o seqüestro de policiais e de pessoas que os líderes da mesquita dizem que estão envolvidas em atividades imorais, como prostituição. Segundo a correspondente da BBC Barbara Plett, em Islamabad, os radicais não têm muito apoio da população da capital, que parece estar satisfeita com as ações das forças de segurança. Mas, de acordo com Plett, em áreas mais conservadoras do país, como as províncias do noroeste, região natal da maioria dos estudantes, as ações do governo não devem receber apoio. |
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