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Atualizado às: 08 de junho, 2007 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Relator europeu diz ter provas de prisões secretas
Suspeitos eram submetidos a tratamento 'degradante', segundo relatório
Suspeitos eram submetidos a tratamento 'degradante', segundo relatório
O senador suíço encarregado pelo Conselho da Europa de investigar a existência de prisões secretas da CIA em solo europeu afirmou ter provas de que a agência secreta americana mantinha instalações desse tipo na Polônia e na Romênia.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, Dick Marty diz que essas prisões, que teriam como objetivo interrogar suspeitos de "terrorismo", "realmente existiram na Europa entre 2002 e 2005, em particular na Polônia e na Romênia".

"As instalações secretas na Europa eram administradas direta e exclusivamente pela CIA. Pelo que sabemos, os funcionários locais não tinham nenhuma comunicação significativa com os prisioneiros e desempenhavam tarefas puramente logísticas", diz o relatório.

Por outro lado, segundo o relator, "as mais altas autoridades do Estado estavam cientes das atividades ilegais da CIA em seus territórios".

Segundo Marty, as prisões foram concebidas depois de um pacto secreto pelo qual os membros da Otan (aliança militar ocidental, liderada pelos Estados Unidos) teriam permitido que Washington mantivesse as prisões. O acordo teria sido firmado em 4 de outubro de 2001, menos de um mês depois dos ataques a Nova York e Washington.

Tanto a Otan como os governos polonês e romeno negaram as acusações.

Um porta-voz da CIA, por sua vez, disse à BBC que o relatório é "tendencioso" e "distorcido". Segundo ele, as "operações antiterror" da agência têm sido "legais" e "efetivas" e que têm "beneficiado muitas pessoas - inclusive europeus - ao abortar planos e salvar vidas".

'Buraco negro'

Segundo Marty, fontes da própria CIA lhe disseram que a Polônia era o "buraco negro" onde oito "presos de alto valor " foram interrogados, incluindo Khalid Sheikh Mohammed - supostamente um dos principais arquitetos dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos - e Abu Zubaydah, outro suposto militante da rede Al-Qaeda.

Em relação à Romênia, o relatório diz que as instalações no país ganharam importância quando o programa dos "presos de alto valor" foi expandido.

Marty também acusou a Alemanha e a Itália de não colaborarem com as suas investigações.

"Alguns governos europeus obstruíram a busca pela verdade e continuam a fazê-lo ao invocar o conceito de 'segredos de Estado'. Esta crítica se aplica particularmente à Alemanha e à Itália", disse o senador.

Marty disse ter se baseado em diversas fontes para investigar as "rendições extraordinárias", processo pelo qual suspeitos eram levados para outros países para ser interrogados.

A divulgação do relatório de Dick Marty coincide com a abertura do primeiro julgamento, na Itália, de um caso envolvendo as "rendições extraordinárias". Um
coronel da Força Aérea americana e 25 agentes da CIA estão sendo julgados à revelia por supostamente seqüestrar um suspeito egípcio e mandá-lo para o Egito, onde ele teria sido torturado.

O presidente americano, George W. Bush, admitiu em setembro que suspeitos de terrorismo haviam sido levados para prisões fora dos Estados Unidos administradas pela CIA, mas não disse onde ficavam essas prisões.

Segundo Marty, alguns suspeitos ficaram detidos durante anos nas prisões secretas, onde eram submetidos a um "tratamento degradante" e "às chamadas técnicas aperfeiçoadas de interrogatório" - essencialmente um eufemismo para um tipo de tortura, na explicação do próprio investigador.

O Conselho da Europa, que ordenou as investigações, é o órgão da União Européia que monitora o respeito aos direitos humanos.

Em um relatório preliminar divulgado no ano passado, Dick Marty havia dito que a CIA mantinha uma "teia de aranha global" de vôos secretos para transportar prisioneiros.

Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, publicada nesta sexta-feira, ele diz que suspeitos também eram levados para países como a Síria, "onde não há lei civil ou lei estabelecendo regras de guerra".

O Parlamento Europeu aprovou em janeiro deste ano um relatório que diz que países europeus sabiam que a CIA usava seu espaço aéreo. Ainda segundo o relatório, os governos também sabiam que suspeitos de terrorismo eram seqüestrados por agentes americanos e levados a centros de detenção clandestinos.

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