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Atualizado às: 16 de março, 2007 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)
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Soldado dos EUA 'justifica' mortes em Haditha
Frank Wuterich
Frank Wuterich era líder do grupo de soldados envolvido no incidente
Um fuzileiro americano, acusado de matar civis iraquianos desarmados em Haditha em 2005, disse que lamenta as mortes, mas que teria agido da mesma forma novamente.

Em uma entrevista na TV, o sargento Frank Wuterich, de 26 anos, disse que abriu fogo contra cinco homens iraquianos desarmados porque acreditava que tinham intenções hostis contra seus comandados.

Testemunhas iraquianas dizem que a ação foi uma retaliação a uma bomba colocada em uma estrada e que matou um soldado do grupo horas antes.

Oito fuzileiros americanos foram indiciados pela morte de 24 civis iraquianos.

Quatro são acusados de assassinato não premeditado e os demais são acusados de tentativa de acobertar o incidente.

O líder do grupo, Wuterich, é acusado do assassinato não premeditado de 12 iraquianos e de haver ordenado aos seus soldados que matassem seis pessoas.

Se considerados culpados, os fuzileiros podem enfrentar prisão perpétua.

Pedido de desculpas

Em uma entrevista ao programa 60 Minutes da rede de TV americana CBS a ser exibida no domingo, Wuterich pediu desculpas pelas mortes.

Haditha
Corpos dos iraquianos mortos em Haditha

Ele disse que "não há absolutamente nada" que ele possa dizer "para amenizar a morte daquelas mulheres e crianças" e que "lamenta totalmente o que aconteceu naquele dia".

Mas que abrir fogo contra os homens foi justificado porque ele os identificou como possíveis autores do ataque a bomba que tinha morto um soldado horas antes.

Ele disse que eles contrariaram uma ordem para permanecerem onde estavam e tentaram fugir.

"Hoje eu tomaria estas decisões de novo. Estas decisões que eu tomei em uma situação de combate e acredito que tinha que tomá-las", disse Wuterich.

Sem disparos

Os advogados dos fuzileiros dizem que estes integrantes da Companhia Kilo, da Primeira Divisão de Fuzileiros estavam envolvidos em uma intensa batalha no dia 19 de novembro de 2005, em Haditha, depois da explosão na estrada.

Sabe-se que cinco homens desarmados foram mortos a tiros em um carro quando se aproximavam da cena em um táxi e outros, inclusive mulheres e crianças, morreram em três casas em poucas horas.

Entre os mortos estavam um homem de 76 anos e uma criança de três anos. Também há várias mulheres.

Uma declaração inicial dos fuzileiros à imprensa disse que alguns civis foram mortos na explosão inicial e outros, em tiroteio com insurgentes.

Mas moradores locais dizem que os únicos disparos partiram dos fuzileiros.

Os advogados de defesa dos fuzileiros admitiram que civis inocentes podem ter morrido durante o caos, mas negam morte premeditada.

As autoridades americanas só fizeram uma investigação completa do ocorrido três meses depois, quando um vídeo feito por um ativista local pelos direitos humanos mostrando as conseqüências da matança chegou à mãos da revista Time.

Quando ficou claro que havia falhas na declaração inicial dos fuzileiros, foi aberta uma investigação.

O inquérito em Haditha é apenas um de vários que o Exército dos Estados Unidos vem realizando sobre incidentes de supostos assassinatos cometidos pelas forças do país no Iraque.

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