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Atualizado às: 21 de dezembro, 2006 - 16h22 GMT (14h22 Brasília)
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Paciente italiano morre após médico desligar aparelho
O italiano Piergiorgio Welby, antes de morrer, em hospital italiano
Apelo de Welby pela eutanásia despertou feroz debate na Itália
Um paciente italiano em estado terminal, que perdeu uma batalha jurídica pelo direito de se submeter à eutanásia, morreu depois de seu médico ter desligado a máquina que o mantinha vivo.

O médico Mario Riccio afirmou que cumpriu o direito legal do paciente de se recusar a ser submetido a tratamento e negou que o caso constitua eutanásia.

O paciente Piergiorgio Welby, de 60 anos, ficou paralisado por uma distrofia muscular e seu estado de saúde piorou nas últimas semanas.

O apelo de Welby pelo direito de morrer despertou um grande debate e representou um marco para a Justiça da Itália, país tradicionalmente lembrado por sua maioria católica e onde a eutanásia é ilegal.

Consciência

"Em hospitais italianos, terapias são suspensas a todo momento, e isso não causa nenhuma intervenção dos magistrados ou problemas de consciência", disse Riccio, após a morte do paciente.

"Isso não deve ser confundido com eutanásia. É uma suspensão de terapias", acrescentou o médico, em Roma. "Recusar tratamento é um direito."

Welby estava ligado a um respirador artificial nos últimos seis meses e era alimentado por um tubo para permanecer vivo.

O paciente se comunicava por meio de um computador que identificava os movimentos de seus olhos.

No sábado, um juiz decidiu que, apesar de Welby ter o direito constitucional de ter desligada a máquina que o mantinha vivo, os médicos eram legalmente obrigados a tentar ressuscitá-lo.

Legislação

A eutanásia e a morte assistida são legais na Holanda, na Bélgica e na Suíça, mas permanecem ilegais na maior parte do mundo.

Em setembro, Welby chegou a ditar uma carta enviada ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, em que pedia permissão para morrer.

A ministra da Saúde da Itália, Livia Turco, pediu a criação de uma legislação que esclareça exatamente quais medidas são lícitas para manter vivos pacientes em casos como o de Piergiorgio Welby.

O Vaticano prega que a vida deve ser protegida desde o início até o seu fim natural.

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