BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 27 de outubro, 2006 - 03h40 GMT (00h40 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Lei aprovada na Nicarágua proíbe todo tipo de aborto
Manifestações na Nicarágua
Centenas de manifestantes protestaram contra a lei em Manágua
Depois de semanas de debates, o Congresso da Nicarágua aprovou nesta quinta-feira uma lei que proíbe todo tipo de aborto. Estão incluídos na proibição até os casos em que a gravidez decorre de violência sexual ou em que a vida da mãe corre perigo.

O projeto de lei foi aprovado por 59 votos a favor e nenhum contra. Sete deputados se abstiveram de votar, e outros 29 não compareceram à sessão.

Agora, a lei deve ser assinada pelo presidente da Nicarágua, Enrique Bolaños, que apoiou o projeto.

O aborto foi um dos temas de destaque na campanha para as eleições presidenciais no país, que ocorrem no dia 5 de novembro.

Os deputados nicaraguenses votaram a favor da anulação do artigo 165 do Código Penal, que garantia o direito de aborto terapêutico. Por mais de um século (desde 1893), o aborto foi permitido na Nicarágua caso três ou mais médicos determinassem que a vida da mãe corria risco ou caso a gravidez fosse resulado de estupro ou incesto.

Agora, os deputados deverão definir a pena para o delito. Uma segunda parte do projeto de lei, que aumenta para mais de 30 anos de prisão a pena para quem fizer abortos, não foi aprovada. Por enquanto, continua em vigor a pena atual, de seis anos de prisão para as mulheres e os médicos que fizerem abortos.

Mudança

Segundo correspondentes da BBC na Nicarágua, parlamentares do Partido Sandinista, de esquerda, apoiaram a lei por medo de sofrerem rejeição dos eleitores católicos.

Quando comandou o governo nicaraguense, nos anos 80, o ex-líder sandinista Daniel Ortega era um defensor dos direitos limitados ao aborto e um crítico da Igreja Católica. Desde então, Ortega se reconciliou com a Igreja e tornou-se um feroz opositor do aborto.

Ortega lidera a corrida presidencial, mas é pouco provável que consiga se eleger já no primeiro turno.

A lei provocou protestos reunindo centenas de manifestantes em frente ao Congresso na capital, Manágua, na noite de quarta-feira, conforme a agência de notícias Reuters.

Segundo os manifestantes, a aprovação da lei seria uma "pena de morte" para as 400 mulheres que sofrem de gravidez ectópica (quando o desenvolvimento do óvulo se faz na trompa de Falópio) a cada ano no país.

Associações médicas e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) também manifestaram preocupação e alertaram que o debate sobre o assunto foi politizado devido à proximidade das eleições.

Segundo Will Grant, editor da BBC Americas, a opinião pública na Nicarágua - país onde 85% da população é católica - parece apoiar a nova lei.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Portugal terá novo referendo sobre aborto
19 outubro, 2006 | BBC Report
Morre candidato a presidente na Nicarágua
03 de julho, 2006 | Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade