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Atualizado às: 15 de outubro, 2006 - 15h12 GMT (12h12 Brasília)
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Presidente do Chile visita local onde foi torturada
Michelle Bachelet e sua mãe olham réplica de Villa Grimaldi
A visita despertou memórias dolorosas em Bachelet e sua mãe
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, fez uma visita emocionada ao centro de detenção Villa Grimaldi, onde ela foi torturada nos anos 70.

Bachelet foi detida no local, que fica nas proximidades da capital Santiago, com sua mãe, em 1975, durante o governo do general Augusto Pinochet.

A prisão é agora um parque e um memorial para os milhares de prisioneiros que foram torturados pela polícia secreta.

Durante o mandato de Pinochet, cerca de 3 mil pessoas "desapareceram" ou foram mortas por supostas ligações com o comunismo.

Ao andar pelo parque, acompanhada por sua mãe Angela Jeria, Bachelet falou sobre suas memórias dolorosas.

"Existem momentos de tristeza que eu sinto, olhando para trás para estes tempos de terror. Mas a coisa mais importante da visita é se concentrar na vida, na liberdade, na dignidade e na paz", disse a líder chilena.

'Privilegiados'

Em 1975, quando Bachelet era uma jovem estudante de Medicina, ela foi presa juntamente com sua mãe e ambas foram levadas à Villa Grimaldi.

Apesar de geralmente não fazer alarde sobre seu passado como vítima do governo militar, Bachelet escreveu uma autobiografia em que diz que as duas ficavam separadas, geralmente com vendas nos olhos e sofriam maus tratos físicos.

Após algumas semanas, elas foram libertadas e se exilaram na Austrália.

O pai de Bachelet, um general da força aérea, foi preso pelo governo Pinochet por se opôr ao golpe que levou os militares ao poder e morreu na prisão.

"Nós éramos os privilegiados porque tínhamos sorte o bastante para sobreviver... Milhares de chilenos, entre eles meu pai e tantas outras pessoas queridas, não sobreviveram à prisão ou à tortura", disse Bachelet.

A presidente chilena disse que seu governo iria agir em breve para tentar anular uma lei de anistia aprovada em 1978 que frustrou tentativas de julgar os responsáveis por abusos.

Desde que Pinochet deixou o poder, em 1990, partidos de direita impediram esforços do congresso chileno de revogar a lei.

O ex-general atualmente enfrenta várias acusações de violação dos direitos humanos relacionadas ao período em que esteve no poder.

No mês passado, um tribunal retirou a imunidade que Pinochet tinha como ex-presidente, abrindo caminho para que ele seja julgado por ligação com seqüestros e torturas na Villa Grimaldi.

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