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Plano para reviver Doha é apresentado sob críticas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma nova proposta de reduzir protecionismos no comércio agrícola foi apresentada já sob críticas na cidade australiana de Cairns, nesta quarta-feira. Em meio a divergências em torno do plano apelidado de "cinco e cinco", Estados Unidos e União Européia voltaram a acusar-se mutuamente de inflexibilidade nas negociações para tentar reviver a Rodada Doha. O plano foi apresentado pelo ministro do Comércio australiano, Mark Vaile. A idéia é que os Estados Unidos reduzam em US$ 5 bilhões – cerca de R$ 11 bilhões – os seus subsídios agrícolas, como contrapartida a uma elevação de 5 pontos percentuais no tamanho do corte de tarifas agrícolas adotado pela União Européia. Mas, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos consideraram que o plano "tem potencial de avançar", a União Européia recusou a proposta, porque "o que (a proposta) pede dos Estados Unidos é muito pouco". Impasse Em julho, as diferenças entre americanos, europeus e países em desenvolvimento levou à suspensão da Rodada Doha pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy. Os 148 países da instituição negociavam dentro de um esquema "triangular", ou, em três frentes: redução de tarifas agrícolas, corte de subsídios e acesso a mercados industriais e de serviços. União Européia, Estados Unidos e países emergentes, todos se comprometeram a ceder em cada um desses temas. O bloco europeu concordou em cortar em 51,5% suas tarifas de importação de produtos agrícolas - um porcentual mais ambicioso que os 39% propostos inicialmente, mas ainda abaixo dos 54% e até 70% pedidos por países em desenvolvimento e Estados Unidos.
De outra parte, os americanos concordaram com uma redução apenas modesta no volume de ajuda anual aos seus produtores: de US$ 22,5 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) para US$ 19,5 bilhões (cerca de R$ 43 bilhões). Proposta A tentativa australiana de injetar ambição nessas metas voltou a colocar em lados opostos os representantes dos Estados Unidos e a União Européia na reunião de Cairns. O negociador europeu na OMC, Carlos Trojan, disse que a proposta "não era aceitável para a União Européia", porque "o que os australianos estão pedido dos Estados Unidos é muito pouco". Já a secretária americana de Comércio, Susan Schwab, disse que o plano "tem potencial para evoluir". Mas ela ressalvou que não discutiria valores específicos. As divergências entre os dois lados foi bem mais acirrada nos corredores, sugeriu a agência AFP. A agência disse que Susan Schwab criticou o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, por não ter comparecido à reunião. "Não se consegue um sim dizendo não", ela afirmou, segundo a agência. O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Mike Johanns, criticou a postura européia de culpar a delegação americana pelo impasse nas negociações. "Com todo o respeito, eles são muito bons em dizer aos outros o que fazer, mas o que nós realmente necessitamos que eles façam é elevar o nível de ambição necessário nessa rodada (de negociações)", afirmou Johanns, ainda segundo a AFP. Lamento O primeiro-ministro australiano, John Howard, contou a uma rádio australiana que estava "decepcionado" com o impasse comercial. "Estou desapontado que a resposta da União Européia à oferta americana não tenha sido mais pró-ativa. (Mas) isto não quer dizer que vejo os americanos como imaculados em relação aos subsídios agrícolas", ele afirmou. O secretário-geral da OMC, Pascal Lamy, que está em Cairns, disse: "É lamentável que as negociações tenham terminado por causa de algumas toneladas de carne, algumas toneladas de frango e alguns bilhões de dólares de subsídios que distorcem o comércio mundial", disse Lamy. "Os grandes ganhos, mais uma vez, passaram despercebidos." Lamy, os EUA e a UE participam extraordinariamente da reunião que comemora 20 anos do Grupo de Cairns, formado há 20 anos para pressionar pela eliminação das barreiras ao comércio agrícolas. Os 18 países do grupo – entre eles o Brasil – respondem por 25% do volume de produtos agrícolas comercializados no mundo. |
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