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Atualizado às: 20 de setembro, 2006 - 14h35 GMT (11h35 Brasília)
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Plano para reviver Doha é apresentado sob críticas
Secretário-geral da OMC, Pascal Lamy
Secretário da OMC demonstra preocupação com impasse de Doha
Uma nova proposta de reduzir protecionismos no comércio agrícola foi apresentada já sob críticas na cidade australiana de Cairns, nesta quarta-feira.

Em meio a divergências em torno do plano apelidado de "cinco e cinco", Estados Unidos e União Européia voltaram a acusar-se mutuamente de inflexibilidade nas negociações para tentar reviver a Rodada Doha.

O plano foi apresentado pelo ministro do Comércio australiano, Mark Vaile.

A idéia é que os Estados Unidos reduzam em US$ 5 bilhões – cerca de R$ 11 bilhões – os seus subsídios agrícolas, como contrapartida a uma elevação de 5 pontos percentuais no tamanho do corte de tarifas agrícolas adotado pela União Européia.

Mas, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos consideraram que o plano "tem potencial de avançar", a União Européia recusou a proposta, porque "o que (a proposta) pede dos Estados Unidos é muito pouco".

Impasse

Em julho, as diferenças entre americanos, europeus e países em desenvolvimento levou à suspensão da Rodada Doha pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.

Os 148 países da instituição negociavam dentro de um esquema "triangular", ou, em três frentes: redução de tarifas agrícolas, corte de subsídios e acesso a mercados industriais e de serviços.

União Européia, Estados Unidos e países emergentes, todos se comprometeram a ceder em cada um desses temas.

O bloco europeu concordou em cortar em 51,5% suas tarifas de importação de produtos agrícolas - um porcentual mais ambicioso que os 39% propostos inicialmente, mas ainda abaixo dos 54% e até 70% pedidos por países em desenvolvimento e Estados Unidos.

Costureira em Bangladesh
Protecionismo prejudica países pobres, nas áreas agrícola e industrial

De outra parte, os americanos concordaram com uma redução apenas modesta no volume de ajuda anual aos seus produtores: de US$ 22,5 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) para US$ 19,5 bilhões (cerca de R$ 43 bilhões).

Proposta

A tentativa australiana de injetar ambição nessas metas voltou a colocar em lados opostos os representantes dos Estados Unidos e a União Européia na reunião de Cairns.

O negociador europeu na OMC, Carlos Trojan, disse que a proposta "não era aceitável para a União Européia", porque "o que os australianos estão pedido dos Estados Unidos é muito pouco".

Já a secretária americana de Comércio, Susan Schwab, disse que o plano "tem potencial para evoluir". Mas ela ressalvou que não discutiria valores específicos.

As divergências entre os dois lados foi bem mais acirrada nos corredores, sugeriu a agência AFP.

A agência disse que Susan Schwab criticou o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, por não ter comparecido à reunião.

"Não se consegue um sim dizendo não", ela afirmou, segundo a agência.

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Mike Johanns, criticou a postura européia de culpar a delegação americana pelo impasse nas negociações.

"Com todo o respeito, eles são muito bons em dizer aos outros o que fazer, mas o que nós realmente necessitamos que eles façam é elevar o nível de ambição necessário nessa rodada (de negociações)", afirmou Johanns, ainda segundo a AFP.

Lamento

O primeiro-ministro australiano, John Howard, contou a uma rádio australiana que estava "decepcionado" com o impasse comercial.

"Estou desapontado que a resposta da União Européia à oferta americana não tenha sido mais pró-ativa. (Mas) isto não quer dizer que vejo os americanos como imaculados em relação aos subsídios agrícolas", ele afirmou.

 Estou desapontado que a resposta da União Européia à oferta americana não tenha sido mais pró-ativa. Isto não quer dizer que vejo os americanos como imaculados em relação aos subsídios agrícolas.
John Howard, premiê australiano

O secretário-geral da OMC, Pascal Lamy, que está em Cairns, disse: "É lamentável que as negociações tenham terminado por causa de algumas toneladas de carne, algumas toneladas de frango e alguns bilhões de dólares de subsídios que distorcem o comércio mundial", disse Lamy.

"Os grandes ganhos, mais uma vez, passaram despercebidos."

Lamy, os EUA e a UE participam extraordinariamente da reunião que comemora 20 anos do Grupo de Cairns, formado há 20 anos para pressionar pela eliminação das barreiras ao comércio agrícolas.

Os 18 países do grupo – entre eles o Brasil – respondem por 25% do volume de produtos agrícolas comercializados no mundo.

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