|
Exército do Sri Lanka é acusado de matar agentes humanitários | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Monitores da trégua no Sri Lanka acusaram forças militares do país de matar 17 funcionários de uma ONG francesa. Uma nota divulgada pelo chefe da Missão de Monitoramento do Sri Lanka, Ulf Henricsson, diz que a morte, neste mês, de funcionários cingaleses da Action Contre La Faim (Ação Contra a Fome) foi "uma violação gritante do cessar-fogo pelas forças de segurança". Quinze dos corpos foram encontrados baleados à queima roupa no dia 7 de agosto em um caso que causou protestos internacionais. Dois outros corpos foram encontrados mais tarde. Segundo Henricsson, a equipe está "convencida" de que nenhum outro grupo armado poderia estar por trás das mortes, ocorridas perto de Muttur, no nordeste do país. Um porta-voz do governo, Keheliya Rambukwella, rejeitou a alegação, que chamou de "patética e tendenciosa". "Nós negamos isto. Trata-se de uma declaração totalmente sem base que o chefe (da missão de monitoramento) fez", disse Rambukwella à agência de notícias Associated Press. "Eles não têm o direito de fazer tal declaração porque eles não são profissionais em autópsias ou exames post-mortem." Os funcionários da ONG - 16 deles de origem étnica tâmil - trabalhavam em projetos de recuperação pós-tsunami na área, que foi palco de vários dias de combates entre rebeldes do grupo Tigres Tâmeis e tropas do governo. Responsabilidade Na nota divulgada, o chefe da missão disse que manteve "conversa confidencial com fontes altamente confiáveis" sobre quem seria provavelmente o responsável pelas mortes que não teriam deixado dúvidas sobre a autoria do crime. "As opiniões não se mostraram contraditórias e as forças de segurança do Sri Lanka têm sido vistas ampla e consistentemente como responsáveis pelo incidente", afirmou ele. Os monitores disseram também ter feito entrevistas com autoridades e testemunhas que teriam levado à mesma conclusão. A declaração chamou o incidente de "assassinato" e "um dos mais graves crimes recentes contra trabalhadores humanitários no mundo". A declaração também disse que tropas do governo ou elementos armados auxiliados por elas foram responsáveis por ataques nos distritos de Mannar e Vavuniya de 1º de abril a 15 de junho - uma "estratégia deliberada contra integrantes do Tigres Tâmeis e civis" e uma "violação gritante" do cessar-fogo. Os monitores afirmaram ainda que é "altamente provável" que os Tigres Tâmeis ou seus partidários realizaram um ataque a um ônibus que matou mais de 60 pessoas em Kabithigollew, 200 km ao norte de Colombo, em junho. Um porta-voz rebelde disse à BBC que os monitores estão errados e disse que eles não tinham nada a ver com o ataque ao ônibus. O cessar-fogo foi firmado em fevereiro de 2002, mas nos últimos meses os dois lados travaram conflito aberto no norte e leste do país. Mas, nesta quarta-feira, o ministro do Exterior do Sri Lanka, Mangala Samaraweera, negou que seu país esteja em um estado de guerra civil. Segundo ele, o governo está apenas respondendo a "agressão" dos Tigres Tâmeis. Monitores de países da União Européia (UE) na missão de monitoramento agora estão completando uma retirada que foi exigida pelos rebeldes do grupo Tigres Tâmeis depois que o bloco colocaram-no em sua lista de "organizações terroristas". Apenas 20 dos 57 monitores originais permanecem no país. O número de refugiados que deixaram suas casas por causa do conflito no Sri Lanka, seguindo para o estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, ultrapassou a marca dos 10 mil, confirmaram as autoridades. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||