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Atualizado às: 21 de agosto, 2006 - 13h35 GMT (10h35 Brasília)
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Saddam se nega a dizer se é culpado ou inocente
Saddam Hussein
Saddam disse preferir fuzilamento à forca se for condenado
O ex-presidente do Iraque Saddam Hussein recusou-se a se declarar culpado ou inocente no primeiro dia do julgamento em que é acusado de participar de uma ofensiva contra curdos em 1987 e 1988. A recusa fez o juiz Abdullah al-Amiri decidir que uma declaração de "inocente" seria apresentada em seu nome.

O tribunal ouviu nesta segunda-feira a acusação de que 182 mil pessoas foram mortas durante a operação Anfal, na qual armas químicas teriam sido usadas contra 3 mil vilas no norte do Iraque, logo após o fim da guerra Irã-Iraque.

Sete réus - inclusive o primo de Saddam Ali Hassan al-Majid, apelidado de "Ali Químico" - enfrentam acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio no tribunal, na fortificada zona verde de Bagdá, e podem ser condenados à morte.

Também deverão responder a acusações o ex-ministro da Defesa Sultan Hashim Ahmed, o ex-chefe da inteligência Saber Abdul Aziz, o ex-comandante da Guarda Republicana Hussein Rashid al-Tikriti, o ex-governador de Nineveh Taher Muhammad al-Ani e o ex-comandante militar Farhan al-Jibouri.

Saddam e sete réus diferentes estgão sendo julgados pela morte de 148 xiitas em Dujail, em 1982. Um veredicto deve ser anunciado no dia 16 de outubro.

Desafio

O ex-presidente iraquiano questionou a legitimidade do tribunal, como havia feito no julgamento anterior.

Inicialmente, ele se recusou a dizer seu nome quando o juiz xiita Abdullah al-Amiri, que preside um painel de cinco membros no tribunal, pediu que ele se identificasse: "Você sabe o meu nome", disse o ex-presidente.

"Esta é a lei da ocupação", afirmou Saddam Hussein, antes de dizer que era "o presidente da República e comandante das Forças Armadas".

Amiri informou o ex-presidente iraquiano que ele estava sendo julgado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra e perguntou se ele era inocente ou culpado.

"Isso iria requerer uma quantidade enorme de livros", respondeu Saddam Hussein.

A acusação abriu seus argumentos dizendo que "armas de destruição em massa e ataques aéreos" foram usados na operação Anfal e que idosos, mulheres e crianças foram mandados para campos de detenção apenas pelo fato de serem curdos.

Sobreviventes dizem ainda que foram atacados com gás, embora este novo julgamento não lide com o caso de Halabja, em 1988, onde 5 mil curdos teriam sido mortos dessa forma. Um outro tribunal está examinando o caso.

Irã

A Operação Anfal - que significa "Espólios de Guerra" - teve como alvo milicianos pela independência curda.

'Ali Químico'
'Ali Químico' é um dos réus neste segundo julgamento de Saddam

A promotoria vai argumentar que a ação pode ser classificada de genocídio. Entre as evidências a serem apresentadas deverão estar documentos do governo e depoimento de sobreviventes.

Já a defesa deve retratar a campanha como uma ação legítima contra insurgentes curdos que eram acusados de ajudar o Irã durante a guerra com o Iraque.

Ativistas pelos direitos humanos levantaram dúvidas sobre a lisura do sistema judicial iraquiano e disseram que houve graves problemas no caso de Dujail.

Três advogados de defesa foram assassinados e o primeiro chefe dos juízes foi substituído.

A promotoria quer a pena de morte para Saddam Hussein e dois dos sete outros réus no caso de Dujail. Todos negam as acusações.

Se Saddam for condenado e sentenciado à morte, ele ainda poderá apelar, levantando a possibilidade de que uma execução ainda demore muitos anos.

Iraque
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