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Atualizado às: 12 de julho, 2006 - 10h13 GMT (07h13 Brasília)
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Índia tenta identificar autores de atentados
Vítima sendo retirada do local das explosões
Explosões ocorreram durante hora do rush na Índia
A polícia na Índia fez uma série de operações nesta quarta-feira para tentar descobrir quem está por trás dos ataques a bomba que mataram mais de 180 pessoas e feriram outras 400 em trens de Mumbai (antiga Bombaim) nesta terça.

Policiais detiveram suspeitos para interrogatório, depois de organizarem uma série de buscas no distrito financeiro da cidade e em várias partes do estado de Maharashtra, onde fica Mumbai.

Equipes especializadas em bombas e cães farejadores estão analisando as ferragens dos vagões onde as sete explosões coordenadas ocorreram, em plena hora do rush.

De acordo com a polícia, tratou-se de uma série de ataques coordenados, como outros dos quais o centro financeiro já foi vítima no passado (veja quadro).

Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelos ataques. Militantes muçulmanos que lutam pela independência da Caxemira - território no norte do subcontinente indiano, alvo de disputas com o vizinho Paquistão e grupos separatistas - negaram qualquer participação nas explosões.

O primeiro ministro indiano, Manmohan Singh, pediu calma e descreveu os ataques como "uma tentativa chocante e covarde de espalhar o sentimento de medo".

Explosões em Mumbai
Ago 2003: Pelo menos 44 mortos num duplo atentado com carros-bombas
Jul 2003: Três pessoas mortas em explosão em ônibus
Mar 2003: 11 mortos em trem metropolitano
Jan 2003: 30 feridos em ataque a mercado
Dez 2002: 23 feridos em ataque a um McDonald's
Dez 2002: Dois mortos em explosão em ônibus
Mar 1993: Mais de 250 mortos em explosões coordenadas

Busca por familiares

Mais de 12 horas depois dos ataques muitas pessoas ainda estavam procurando desesperadamente por familiares, percorrendo hospitais para descobrir notícias sobre os feridos.

"Os médicos ainda estão trabalhando, cirurgias estão ocorrendo, amputações, muitas pessoas sofreram traumas múltiplos", disse Anumeha Yadav, um jornalista do Indian Express à BBC.

O governo indiano afirma que as explosões tiveram um alto grau de planejamento. Todas as explosões ocorreram em trens rápidos e dentro de vagões da primeira classe na Western Railway, uma das três principais redes ferroviárias de Mumbai.

Mais de seis milhões de pessoas usam a linha ferroviária de Mumbai diariamente.

Os trens rápidos usam trilhos diferentes e, apesar de os trens de outras linhas já terem voltado a se mover, logo depois dos ataques toda a rede ferroviária foi paralisada. Muitos passageiros tiveram que passar a noite na casa de familiares ou em escolas.

Calma

O governo indiano aplicou medidas de segurança em Mumbai e outras cidades da Índia. O primeiro-ministro Manmohan Singh pediu que a população "permanecesse calma, não acreditasse em boatos e continuasse com suas atividades normais".

A primeira bomba explodiu às 18h30 (10h no horário de Brasília), durante a hora do rush, na rota da Western Railway.

Segundo a polícia, as sete explosões foram registradas nas regiões de Borivili, Khar, Jogeshwari, Mahim, Matunga e Meera, com cinco bombas em trens em movimento e outras duas em estações.

A força dos artefatos rompeu as portas e janelas dos vagões e espalhou malas, roupas, sapatos e objetos pessoais pelos trilhos.

Imagens de TV mostraram passageiros atordoados e cobertos de sangue sendo carregados por equipes de resgate e por outros passageiros.

Outros relatos davam conta de pessoas saltando dos trens.

Reação

O ministro das Ferrovias da Índia, Laloo Prasad Yadav, anunciou uma ajuda financeira para as vítimas e seus familiares. Os familiares dos que morreram nas explosões devem receber 500 mil rúpias.

Para o primeiro-ministro britânico Tony Blair, os ataques foram "brutais".

Um porta-voz do departamento de Estado americano em Washington disse que as bombas atingiram pessoas inocentes que apenas cuidavam de suas vidas.

O presidente afegão, Hamid Karzai, expressou choque e simpatia pelo povo indiano.

O presidente do vizinho Paquistão, Pervez Musharraf, foi o primeiro a condenar os atentados, qualificando-os como um "ato desprezível de terrorismo".

Mas o ministro do Exterior indiano, Anad Sharma, pediu que o Paquistão tome medidas mais radicais contra o que ele chamou de "forças do terror".

O país é acusado de abrigar e apoiar grupos armados que defendem que a Caxemira se torne parte do Paquistão.

O ministro do Interior, Shivraj Patil disse a jornalistas que as autoridades tinham "alguma" informação a respeito de um possível ataque, "mas o local e o dia deste suposto ataque eram desconhecidos".

As explosões desta terça-feira ocorreram horas depois de um ataque com granadas, supostamente realizado por extremistas islâmicos, ter matado sete pessoas em Srinagar, na Caxemira.

Depoimento
Estudante de Medicina descreve caos em hospital.
Mumbai
Bombas causam pânico na cidade.
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