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Atualizado às: 26 de maio, 2006 - 10h44 GMT (07h44 Brasília)
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Seqüestrador de Beslan é condenado à prisão perpétua
Nurpashi Kulayev
Nurpashi Kulayev negou as acusações feitas contra ele
O único seqüestrador a ser capturado vivo após o cerco militar à escola de Beslan, na região russa da Ossétia do Norte, foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira.

Nurpashi Kulayev, um carpinteiro checheno nascido em 1980, foi considerado culpado de todas as acusações que enfrentava, entre elas terrorismo e assassinato.

Kulayev estava entre os rebeldes que fizeram 1,3 mil pessoas reféns dentro da escola de Beslan, em 1º de setembro de 2004. O cerco à escola resultou em um massacre que matou 331 pessoas, em sua maioria crianças.

A promotoria havia pedido a pena de morte contra Kulayev, mas o juiz que comandou o caso, Tamerlan Aguzarov, afirmou que uma moratória à pena capital na Rússia impediria a aplicação da sentença máxima.

'Inocente'

Ao longo de todo o julgamento, Kulayev se disse inocente. "Durante todo o procedimento judicial, não foram encontradas provas da participação de Kulayev nos crimes dos quais ele foi acusado", afirmou seu advogado, Albert Piliyev.

O carpinteiro checheno admitiu ter participado do cerco à escola, mas negou ter morto qualquer pessoa. Mas o juiz Tamerlan Aguzarov afirmou que suas ações haviam levado em parte à morte de 16 reféns pelos seqüestradores e foi ele quem detonou uma bomba dentro da escola que feriu reféns e tropas do governo.

Pouco após o massacre na escola, em 2004, Kulayev escapou por pouco de ser linchado, após ter sido descoberto escondido debaixo de um caminhão próximo ao local do cerco à escola.

O tribunal estava cheio de mães de vítimas trajando vestidos negros. Elas carregavam cartazes com os dizeres: "Não há perdão para as autoridades que deixaram isso acontecer em Beslan".

Quando Kulayev foi conduzido para fora do tribunal, algumas das mães tentaram atacá-lo, enquanto outras batiam na barreira de vidro que o separava das pessoas presentes ao julgamento.

Segundo Steve Rosemberg, correspondente da BBC em Moscou, para muitos em Beslan, o veredito não representa o fim da saga do massacre na escola.

Ele afirma que muitos ainda se perguntam como foi possível que tantos militantes armados tenham passado por postos de controle para tomar uma escola e acreditam que houve uma tentativa de acobertar a negligência dos oficiais russos.

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