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Atualizado às: 12 de março, 2006 - 18h54 GMT (15h54 Brasília)
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Milosevic temia morrer envenenado, disse advogado
Partidário de Milosevic beija seu retrado em Belgrado
Partidário de Milosevic beija seu retrado em Belgrado
Slobodan Milosevic teria enviado uma carta para o ministério das Relações Exteriores da Rússia, pedindo ajuda e contando que temia estar sendo envenenado, um dia antes de ter sido encontrado morto.

A informação foi divulgada na tarde deste domingo pelo advogado do ex-líder sérvio, Zdenko Tomanovic.

Tomanovic apresentou uma cópia da carta escrita à mão por Milosevic, endereçada ao ministro Sergei Lavrov.

"Eles gostariam de me envenenar. Eu estou seriamente preocupado e com medo", disse Tomanovic, se referindo ao conteúdo da carta.

Autópsia

Um médico sérvio está acompanhando a autópsia do ex-presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, que está sendo realizada na Holanda.

A família de Milosevic culpa o Tribunal Criminal Internacional em Haia pela morte do ex-presidente.

Milosevic, que tinha problemas cardíacos e pressão alta, foi encontrado morto em sua cela no centro de detenção do Tribunal de Haia, na Holanda, no sábado.

Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas não há indícios de que o ex-líder sérvio teria cometido suicídio.

Milosevic, de 64 anos, estava sendo julgado pelo Tribunal Criminal Internacional em Haia por genocídio e outros crimes de guerra.

Transferência

O corpo de Milosevic foi transferido do centro de detenção em Scheveningen, um bairro de Haia, para o Instituto de Medicina Legal da Holanda, que fica na cidade, onde será examinado por médicos holandeses.

Um patologista de Belgrado, na Sérvia, vai acompanhar os exames a pedido do Conselho Nacional Sérvio para Cooperação com o Tribunal Criminal Internacional, segundo informações de uma porta-voz do tribunal.

A autópsia vai determinar a hora e a possível causa da morte.

Borislav Milosevic, o irmão mais velho do ex-presidente, acusou o tribunal de ser responsável pela morte, pois não deu permissão para que seu irmão viajasse para a Rússia para tratamento médico durante o julgamento.

O tribunal negou a culpa afirmando que trata da melhor maneira possível de todos os detidos, especialmente de Milosevic.

Mas o irmão do ex-presidente, que está em Moscou, disse que a família não acredita que os holandeses iriam realizar uma autópsia imparcial e acusou o tribunal de "levar" seu irmão à morte.

"Ele pediu por tratamento (na Rússia) há vários meses. Eles sabiam disso", afirmou Borislav Milosevic à agência de notícias Associated Press.

De acordo com o advogado do ex-presidente, Steven Kay, ele tomava remédios para controlar seus problemas cardiovasculares.

"Milosevic foi encontrado sem vida na cama de sua cela na unidade de detenção da Organização das Nações Unidas", diz um comunicado do tribunal.

"A guarda imediatamente alertou o chefe da unidade de detenção e o médico. O último confirmou que Slobodan Milosevic estava morto."

Acusações

Milosevic era acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seu papel nas guerras na Bósnia, Croácia e Kosovo durante os anos 90.

Ele também estava sendo acusado de genocídio por causa da guerra da Bósnia (1992 a 1995), em que morreram 200 mil pessoas.

A morte de Milosevic gerou reações que variavam de críticas à simpatia segundo o correspondente da BBC em Belgrado, Nick Thorpe.

Em frente à sede do Partido Socialista em Belgrado, o partido de Milosevic, foram colocadas velas e flores, além de um retrato do ex-presidente.

Mães e viúvas de muçulmanos mortos no massacre de Srebrenica, durante a Guerra da Bósnia, disseram que lamentam que Milosevic morreu sem ser julgado pelos crimes que cometeu.

"De qualquer forma, parece que Deus já o puniu", disse Hajra Catic, da Associação de Mães de Srebrenica.

O julgamento de Milosevic no Tribunal Criminal Internacional em Haia começou em 2002 e sua conclusão vinha sofrendo vários atrasos por causa dos problemas de saúde do ex-presidente.

Milosevic ocupou o cargo de presidente da Iugoslávia durante 13 anos, até 2000.

O representante da Política Externa da União Européia, Javier Solana, disse esperar que a morte de Milosevic ajude a Sérvia a finalmente resolver seu passado e permitir com que olhe para o futuro.

O primeiro-ministro da Sérvia, Vojislav Kostunica, deu os pêsames à família de Milosevic e a seu partido, mas afirmou que não era o momento de fazer mais declarações.

Vuk Draskovic, o ministro do Exterior da Sérvia e Montenegro, afirmou que é uma pena que Milosevic nunca tenha sido julgado na Sérvia.

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