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Pesquisa indica que franceses rejeitaram Constituição da UE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pesquisa de boca-de-urna indica que os franceses rejeitaram em um referendo neste domingo a adoção de uma Constituição da União Européia (UE). Segundo um instituto de pesquisa francês, 55% dos eleitores teriam votado contra o documento. Esse número não é oficial, mas a ministra da Defesa da França, Michele Alliot-Marie, descreveu esse resultado como uma derrota para a França e para a Europa. O presidente francês, Jacques Chirac, em discurso em emissora de televisão francesa, disse que a decisão do povo francês é soberana. Ele afirmou que a rejeição da Constituição vai tornar difícil a defesa dos interesses da França na Europa. O presidente indicou que uma decisão sobre o futuro do governo francês deve ser tomada nos próximos dias. Ansiedade e expectativa O ministro das Relações Exteriores francês, Michel Barnier, disse que o resultado é "decepcionante". Ele ainda acrescentou que os outros países do bloco devem continuar com as votações, independentemente do resultado na França. Até às 19h do horário local (14h em Brasília), cerca de dois terços dos 42 milhões de franceses com direito a voto no referendo haviam comparecido às urnas, segundo o Ministério do Interior do país. O resultado da votação decide se o país vai ou não ratificar a Constituição da União Européia. Nove dos 25 países-membros da União Européia já ratificaram o documento. Eleitores na Guiana Francesa, nas ilhas caribenhas de Martinica e Guadalupe, na Polinésia Francesa e em Saint Pierre e Miquelon, na costa do Canadá, votaram um dia antes. Os resultados do referendo nesses locais só serão revelados com o fechamento das urnas em Paris e Lyon, às 22h deste domingo, hora local na França (17h, hora de Brasília).
Campanha As campanhas mostraram uma clara divisão na sociedade francesa entre os que acreditam que a Constituição vai garantir o poder de influência da França no coração da Europa e os críticos, que acham que o documento vai prejudicar a habilidade de o país proteger empregos, salários e condições de vida. O governo e a oposição socialista haviam pedido aos eleitores que endossem a Constituição, embora alguns dissidentes socialistas tenham se juntado a comunistas e líderes sindicais em manifestações pelo "não" na sexta-feira. O correspondente da BBC em Paris William Horsley diz que poucas vezes antes a França se mobilizou tanto para um debate sobre assuntos relativos à Europa. Segundo Horsley, o resultado deste referendo está sendo aguardado com ansiedade e expectativa tanto pelos próprios franceses como pelos vizinhos da França na União Européia. Outros países A Constituição foi finalizada no ano passado depois de longas e difíceis negociações entre os governos dos países da organização. O documento inclui uma carta de direitos fundamentais e prevê a criação de um serviço diplomático europeu e de um cargo de ministro do Exterior da União Européia. A Constituição precisa ser ratificada por todos os países-membros, seja por meio de referendo ou por votação no Parlamento. A França é o segundo país da União Européia a realizar um referendo. Na Espanha, a votação teve a vitória do "sim" e a Constituição foi então ratificada pelos legisladores do país. A Alemanha aprovou o documento na sexta-feira. Por outro lado, na Holanda – onde será realizado um referendo na quarta-feira – pesquisas indicam que o "não" está na frente nas intenções de voto. |
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