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Marcha por nacionalização de recursos reúne milhares na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dezenas de milhares de pessoas marcharam na capital da Bolívia, La Paz, para reivindicar a nacionalização dos recursos energéticos do país. Sob pressão, o presidente Carlos Mesa ainda não decidiu se vai promulgar uma nova lei sobre o setor que imporia mais impostos sobre as empresas estrangeiras que exploram as reservas de gás natural e petróleo do país. A manifestação, que foi das 9h da manhã ao meio-dia, interrompeu o trânsito da cidade, mas transcorreu de forma pacífica. O sindicato Central Operária Boliviana (COB) e outras organizações que lideraram a marcha dizem que este foi apenas o primeiro dia de uma série de demonstrações que ocorrerão até que o governo nacionalize os recursos do país. As mudanças defendidas pelos manifestantes na chamada Lei de Hidrocarbonetos obrigariam empresas estrangeiras a pagarem à Bolívia 50% em royalties pela exploração de gás e petróleo no país. Mesa já disse que considera a nova lei "inviável" porque teme que ela gere processos contra o Estado boliviano. Alguns dirigentes defenderam a renúncia do presidente caso ele não assine a lei e já anunciaram que vão bloquear as estradas do país. O diretor da COB, Jaime Solares, disse que uma greve geral e protestos nas ruas "acabarão com os neoliberais que defendem as transnacionais". No entanto, todas as mobilizações convocadas pela entidade fracassaram desde outubro de 2003, quando uma revolta popular levou à renúncia do então presidente, Gonzalo Sánchez de Lozada. Os manifestantes dizem que a indústria de energia boliviana está sendo vendida para empresas internacionais a um preço muito baixo, com poucos resultados para a população boliviana. Os protestos têm sido comuns na Bolívia nos últimos meses. Em março, os principais representantes da oposição assinaram um pacto para intensificar as mobilizações contra o governo de Mesa. A iniciativa reúne o Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo deputado Evo Morales, que representa produtores de coca, a Central Operária Boliviana (COB) e entidades formadas por trabalhadores rurais e comunidades indígenas. Evo Morales diz que a mudança na Lei de Hidrocarbonetos é “inegociável” e precisa ser aceita pelo governo e pelo Congresso para que a Bolívia “recupere a propriedade desses recursos naturais”, descritos pelo líder da oposição como “patrimônio nacional”. Carlos Mesa tem até esta terça-feira para promulgar ou vetar a nova lei. |
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