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Atualizado às: 18 de abril, 2005 - 01h49 GMT (22h49 Brasília)
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Insurreição no Iraque pode acabar, diz presidente

Jalal Talabani
Talabani diz que é contra a pena capital
O novo presidente do Iraque, Jalal Talabani, disse neste domingo que a insurreição no país poderia acabar imediatamente se as autoridades lançassem mão de milícias curdas, muçulmanas xiitas e outras.

Segundo Talabani, esta seria uma forma mais eficaz do que esperar para que as forças iraquianas assumam o papel militar desempenhado pela coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O novo chefe de Estado iraquiano, um curdo, também disse em entrevista à BBC que não assinaria uma sentença de morte contra o ex-líder do país, Saddam Hussein.

Talabani advertiu ainda que qualquer tentativa de imposição de um governo islâmico no Iraque fragmentaria o país.

Os partidos religiosos xiitas, com quem os curdos fizeram uma parceria para dar sustentação ao novo governo, chegaram a um acordo pelo qual o islamismo será uma das várias fontes para a legislação iraquiana.

"Eu não assino"

Caso Saddam Hussein seja condenado à morte - como insistem muitos de seus inimigos - sua sentença terá que ser endossada pela nova Presidência iraquiana.

Mas Talabani, um advogado e defensor de direitos humanos que sempre se opôs à pena capital, deixou claro que seus princípios não permitiriam que ele assinasse um documento destes, apesar de todo o sofrimento imposto pelo regime de Saddam sobre a comunidade curda.

"Pessoalmente, não, eu não assino", disse ele.

"Mas a Presidência do Iraque é formada por três pessoas. Estes três precisam decidir. Então eu posso me ausentar. Eu posso sair de férias e deixar os outros dois (os vice-presidentes) decidirem."

Talabani afirmou que todos os outros integrantes da nova liderança iraquiana são favoráveis a uma execução rápida do ex-ditador.

"Todos eles são favoráveis à condenação de Saddam Hussein à morte antes mesmo de o tribunal decidir."

Mas o atual presidente do país não acredita que a execução do ex-chefe de Estado iraquiano - que ainda deve ser julgado - minaria esforços para acabar com a insurreição no Iraque.

"Eu acho que ele estará acabado, muitos de seus seguidores abandonarão a esperança ou a ilusão de que um dia ele volte", afirmou Talabani.

Anistia

Talabani disse que é favorável a uma anistia para os insurgentes iraquianos que pegaram em armas por estarem descontentes com o novo regime.

Ele também acredita que integrantes do antigo partido do governo, o Baath, deveriam poder se empregar na administração pública - mas não nas forças de segurança.

Talabani deixou claro, contudo, que decisões importantes como esta terão que ser tomadas por consenso envolvendo a Presidência, o gabinete e o Parlamento.

Coalizão

Perguntado sobre o tempo que levaria para que as forças de segurança iraquianas estivessem em posição de substituir a coalizão liderada pelso Estados Unidos, Talabani disse que a transição pode se realizar imediatamente se for adotada uma nova estratégia.

"Na minha opinião, as forças iraquianas, as forças populares e as forças governamentais agora estão prontas para pôr fim à insurreição e acabar com este terrorismo", afirmou.

"Mas há uma corrente de pensamento dentro do governo (interino, que deixa o poder) de que eles não devem ser usados."

No passado, os curdos ofereceram sua milícia Peshmerga, com supostos 80 mil integrantes, para tarefas ligadas à segurança. Mas a oferta foi recusada.

O mesmo ocorreu em relação ao Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (Sciri), um dos principais partidos xiitas do país, e sua brigada Badr, outra força de combate bem teinada.

"Nós não podemos esperar anos e anos, com atividades terroristas, até que tenhamos forças governamentais suficientes", afirmou.

Papel da religião

Talabani cogitaria aceitar ofertas de líderes sunitas que desejam se unir ao processo político para garantir segurança em suas próprias áreas.

Ele admitiu que os americanos continuam se opondo à idéia de um papel para forças não-regulares.

"Mas agora nós somos independentes", afirmou.

Talabani minimizou temores de que os parceiros mais poderosos dos curdos na coalizão, as facções religiosas xiitas, possam tentar impor um governo islâmico.

Embora exista um consenso de que o islamismo é a religião oficial e deve influenciar as leis do país, não pode haver um governo islâmico, disse Talabani.

"No Iraque, é impossível, porque temos curdos, árabes, xiitas, sunitas, cristãos - este tipo de mosaico social. Não é o Irã, não pode ser uma sociedade islâmica. Se alguém tentar impor isso, o Iraque se dividirá."

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