|
Israel homenageia oficial nazista que salvou judeus | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um oficial do Exército da Alemanha que salvou centenas de judeus do Holocausto nazista na Lituânia foi homenageado nesta segunda-feira numa cerimônia em Israel. A história do major Karl Plagge é parecida com aquela retratada no filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Ela foi descoberta por um médico americano, Michael Good, que em 1999 começou a investigar quem havia sido o nazista que salvou a sua mãe. Plagge abrigou cerca de 1,2 mil judeus numa oficina mecânica, salvando-os da morte. O restante da população do gueto de Vilnius foi exterminada na Segunda Guerra. O major alemão, que morreu em 1957, foi homenageado no Memorial Yad Vashem, o museu do Holocausto de Jerusalém. Fato raro O diretor do Yad Vashem, Avner Shalev, disse à BBC que é um fato incomum o museu conceder a um alemão que participou da máquina de guerra nazista o título de "Righteous Among the Nations" (Justo entre as Nações). "Ele pedia cada vez mais trabalhadores (para a oficina) e fez tudo o que podia para manter as condições relativamente mais humanas", afirmou Shalev. Plagge, serviu em Vilnius entre junho de 1941 e junho de 1944, onde administrava uma oficina onde eram consertados os veículos militares alemães. O diploma e a medalha do museu do Holocausto foram entregues ao professor Johann-Dietrich Woerner, presidente da Universidade Técnica de Darmstadt, onde Plagge estudou. Michael Good e seus pais estavam presentes na cerimônia, assim como cerca de 30 outros sobreviventes ajudados pelo oficial nazista. "Passei muito tempo obcecado na minha busca, aprendendo mais sobre ele e procurando que ele fosse reconhecido pelo que fez", disse Good. A investigação foi difícil, já que o médico americano teve de juntar testemunhos de sobreviventes espalhados por todo o mundo. Avner Shalev contou que uma das principais cartas de Plagge ao alto comando militar da Alemanha foi descoberta em arquivos recentemente. "Queríamos ter certeza de que ele não havia cometido crimes contra a humanidade, por isso que levou tanto tempo (para a homenagem). Todos os sobreviventes disseram que ele salvou suas vidas", disse Shalev. Famílias unidas O diretor do museu afirmou que, dos 1,2 mil trabalhadores judeus protegidos pelo major alemão, 500 eram homens e o restante, mulheres e crianças. Plagge disse aos seus superiores que manter as famílias judias unidas motivava os trabalhadores a render mais – uma posição que contrariava a política das tropas nazistas. Quando os soldados da Rússia se aproximavam da capital lituana e o extermínio dos judeus foi acelerado pelos nazistas, Plagge contou aos trabalhadores o que estava acontecendo, permitindo que centenas de judeus fugissem antes que fosse tarde demais. Plagge entrou para uma lista de 20.757 homens e mulheres homenageados pelo Yad Vashem por terem salvado judeus durante a Segunda Guerra. Há apenas 410 alemães na lista, dos quais muito poucos eram militares. Uma das figuras ilustres da lista é Oskar Schindler, que também salvou cerca de 1,2 mil judeus que trabalhavam na fábrica de munições que ele controlava – a história, parecida com a do major Plagge, foi retratada em A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||