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ONG acusa Exército etíope de violar direitos humanos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Exército da Etiópia está praticando abusos de direitos humanos contra a população indígena de Anuak desde o fim de 2003, diz a organização Human Rights Watch. "O Exército etíope tem cometido assassinatos, estupros e torturas generalizadas contra a população Anuak na remota região de Gambella desde dezembro de 2003", afirma um relatório da organização. Segundo a entidade de defesa dos direitos humanos, os abusos podem ser considerados crimes contra a humanidade. Num relatório de 64 páginas divulgado nesta quinta-feira, a HRW diz que sob o pretexto de combater criminosos, o Exército está tratando toda a população Anuak de Gambella como um "alvo legítimo de ataque". A suposta campanha contra os Anuak, que o governo apresenta como uma ofensiva contra grupos armados responsáveis por ataques contra civis, teria sido lançada depois do massacre de 400 membros da etnia na cidade de Gambella. A matança de três dias teria sido executada por moradores das montanhas, de uma outra etnia, e pelos soldados. "O clima de impunidade que existe atualmente em Gambella permitiu que os soldados das Forças Nacionais de Defesa da Etiópia perseguissem e aterrorizassem as comunidades Anuak que eles patrulham", diz o relatório. "Baseado em mentiras" O ministro da Informação etíope, Bereket Simon, nega as acusações. "A Human Rights Watch produziu um relatório completamente infundado, baseado em mentiras," disse o ministro à agência de notícias France Presse. O governo alega que o Exército permaneceu neutro durante o massacre, mas a HRW diz que a maioria dos membros do Exército é do mesmo grupo étnico da população de Gambella que vive nas montanhas. O ex-governador de Gambella, Okello Akuaye, que acusou os soldados de defender os moradores das montanhas durante os três dias de combates étnicos, está exilado na Noruega. Segundo a HRW, das 19 comunidades estudadas no relatório, vilas inteiras foram queimadas e milhares de Anuak tiveram de deixar suas casas com medo de represálias. As acusações feitas pela organização são baseadas em relatos de testemunhas. "Eu vi pessoas correndo. De repente eu vi e ouvi soldados do governo atirando", disse um jovem Anuak à HRW. O relatório também reproduz o relato de uma pessoa que diz ter visto soldados amararrem os pés de um homem às suas pernas em seguida passar por cima dele com um caminhão. Segundo o ministro Simon, os seis militares acusados de envolvimento no massacre numa investigação do governo serão punidos. A HRW,pediu uma investigação independente sobre as supostas violações de direitos humanos de dezembro de 2003 até hoje. |
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