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Centro de protestos do Nepal se cala com medo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O lugar que foi o centro dos protestos contra a dissolução do governo do Nepal em 2002 está calado diante da declaração de estado de emergência no país. Na semana em que o rei Gyanendra demitiu o gabinete e convocou outro, não há manifestações em Ratna Park, região de ruas largas no centro de Kathmandu que havia se tornado o principal ponto de demonstrações contra governos e reis desde a volta de democracia em 1990. Os slogans pintados em outubro de 2002, a última vez que um rei demitiu o governo, ainda podem ser vistos, mas nesta semana Ratna Park parece indiferente à crise política. As pessoas que normalmente protestariam estão simplesmente com muito medo de fazê-lo. Direitos suspensos Direitos vitais foram suspensos, incluindo o direito à privacidade e contra detenção arbitrária. A ostensiva presença militar em toda a cidade indica que a determinação do rei em impor o seu governo. Não que as pessoas de Kathmandu já não estejam acostumados com soldados e policiais patrulhando os seus movimentos, mas agora há mais deles. A censura se tornou total. Há forças do governo até em redações, onde os jornalistas vagam sem poder fazer nada. Há, porém, quem apóie o rei na sua decisão. "Foi bom o que ele fez", diz Kailash, que trabalha num hotem em Ratna Park. "Os nossos partidos democráticos nunca trabalharam pelo bem do Nepal." Mas são os poucos os nepaleses que entendem as intenções do enigmático monarca, isolado numa citadela de jardins exuberantes a apenas dez minutos do centro de Kathmandu. O rei demitiu o governo interino do primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba na terça-feira, alegando que ele não havia conseguido controlar os rebeldes de inspiração maoísta (o líder revolucionário maoísta Mao Zedong. Os rebeldes vêm tentando assumir o poder desde 1996 para instituir um Estado socialista. Mais de 10 mil pessoas já morreram por causa do conflito. Gyanendra disse que o novo gabinete vai "restaurar a paz e a democracia efetiva... nos próximos três anos". Os maoístas suspenderam as negociações de paz em agosto de 2003 e rejeitaram tentativas de reaproximação por parte do primeiro-ministro, insistindo que apenas o rei tinha autoridade para negociar. O monarca também colocou o primeiro-ministro e outros membros do antigo gabinete em prisão domiciliar. A Organização das Nações Unidas (ONU) e tradicionais aliados do Nepal - Índia, Estados Unidos e Grã-Bretanha - criticaram as medidas tomadas pelo rei. |
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