|
Atentados marcam eleição histórica no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ataques suicidas e explosões atingiram postos de votação no Iraque neste domingo, dia das primeiras eleições gerais do país em mais de 50 anos. Pelo menos 20 pessoas morreram em ataques principalmente em Bagdá, e explosões também ocorreram em outras cidades iraquianas. O comparecimento às urnas é ainda irregular, com filas em bairros xiitas e mistos, mas com urnas vazias em bairros sunitas - onde a resistência à ocupação americana é maior. Mesmo assim, a comissão eleitoral do Iraque declarou que o comparecimento é maior do que o esperado e pode chegar a 72% dos iraquianos que se registraram para votar. Condoleezza Nos Estados Unidos, a secretária de Estado Condoleezza Rice elogiou a votação e disse que ela está ocorrendo "melhor do que o esperado". "O que estamos vendo é um grande número de iraquianos votando. Os iraquianos deram um enorme passo e têm muito trabalho pela frente. Mas hoje é um grande dia para os iraquianos", disse Rice ao canal de TV Fox News. Os iraquianos vão eleger uma assembléia de 275 membros. Essa assembléia escolherá um futuro governo e elaborar uma proposta de Constituição. Mais de 100 partidos estão participando da eleição. A votação começou oficialmente no Iraque às 7h do horário local (2h em Brasília), sob forte esquema de segurança. Desde então, vários episódios de violência ocorreram no país. Ataques Pelo menos seis pessoas morreram quando um suicida se explodiu em um posto de votação no leste de Bagdá. No oeste da capital iraquiana, um suicida provocou a morte de pelo menos quatro pessoas em um posto de votação. Dezenas ficaram feridas. Dois policiais iraquianos foram mortos do lado de fora de outros postos de votação. Um atentado com morteiros em um posto eleitoral no bairro de Cidade Sadr, uma região pobre no subúrbio de Bagdá, matou quatro pessoas. Foram registradas também explosões em outros pontos do país, em Basra, Mosul e Baquba. Os ataques ocorreram depois que o líder militante Abu Musab al-Zarqawi pediu que os iraquianos não votassem, ameaçando atacar quem fosse às urnas. Sunitas As regiões de maiorias islâmicas sunitas do Iraque boicotaram a votação. Poucos postos eleitorais abriram nas cidades de Ramadi e Samarra e os postos que estão funcionando não contam com a presença de eleitores. Somente em Falluja foi visto um pequeno número de pessoas votando. Detalhes de uma pesquisa feita no Iraque por um instituto baseado nos Estados Unidos sugerem que três em quatro muçulmanos sunitas decidiram não participar das eleições. Menos de um em cada dez muçulmanos sunitas disseram que definitivamente iriam participar. O Instituto Internacional Zogby disse que a pesquisa indica que 80% da comunidade xiita, o maior grupo no Iraque, pretendem participar das eleições. No exterior, os iraquianos estão votando desde a sexta-feira. Muitos dos que estão votando em 14 países fugiram do Iraque quando Saddam Hussein assumiu o poder. Cerca de 280 mil iraquianos que moram fora do país se registraram.
Início O presidente interino do Iraque, Ghazi al-Yawar, foi uma das primeiras pessoas a votar nas eleições deste domingo. Yawar disse esperar que todos os iraquianos seguissem seus passos e fossem depositar seus votos. "Estou muito feliz e orgulhoso esta manhã", disse Yawar. "Eu parabenizo a todos os iraquianos e peço que venham votar pelo Iraque." O primeiro-ministro interino Ayad Allawi também votou pela manhã e lembrou "o momento histórico que esta eleição representa para os iraquianos". Allawi disse que os eleitores que comparecem às urnas estão desafiando os "terroristas e começando com suas próprias mãos um novo futuro para o Iraque". O secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan disse que as eleições são o primeiro passo rumo à democracia no país. Na véspera das eleições, o presidente dos Estados Unidos George W. Bush disse que os "terroristas não iram destruir as eleições no Iraque". Caças americanos estão patrulhando os céus em Bagdá. Entre outras medidas de segurança, foram adotados a extensão do toque de recolher, o fechamento das fronteiras e do aeroporto de Bagdá e a proibição de viagens de uma província para outra. Mais de cem partidos e coalizões estão competindo pelos 275 lugares na Assembléia Nacional, que terá como principal tarefa a elaboração e a aprovação de uma nova Constituição, abrindo caminho para novas eleições em dezembro de 2005. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||