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Atualizado às: 16 de janeiro, 2005 - 09h25 GMT (07h25 Brasília)
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Sharon libera Exército para agir contra militantes palestinos
Ariel Sharon
Sharon fez o anúncio um dia após a posse de Abbas
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse ter dado carta branca para as Forças Armadas do país agirem contra militantes palestinos.

Ele disse que os militares foram instruídos a tomar qualquer ação necessária, sem restrições.

O anúncio foi feito um dia depois que o novo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, assumiu o cargo.

“Apesar da troca de liderança palestina, ainda estamos para vê-los tomar qualquer ação contra o terrorismo”, disse Sharon em uma reunião de seu gabinete.

Por sua vez, Abbas disse que irá visitar a Faixa de Gaza em um esforço para convencer grupos militantes a interromperem ataques contra alvos israelenses.

Violência

Ao tomar posse no sábado, Abbas pediu por um cessar-fogo entre Israel e os militantes.

Mas a cerimômia foi ofuscada por uma escalada da violência em Gaza.

Oito palestinos foram mortos por tropas israelenses em Gaza, e dois israelenses, incluindo um de sete anos de idade, foram feridos por mísseis palestinos.

Israel interrompeu contatos com os palestinos depois que militantes mataram seis pessoas em um posto de controle na Faixa de Gaza na quinta-feira.

O negociador palestino Saeb Erekat disse à BBC que Abbas espera poder obter um acordo entre todas as facções palestinas para que os ataques contra Israel sejam interrompidos.

"Nós esperamos que o governo de Israel reconheça que para quebrar o ciclo de violência é preciso não suspender contatos, mas sim reiniciar negociações para os palestinos e israelenses voltem a ter esperança", afirmou Erekat.

Reações

Ao tomar posse no sábado, Abbas pediu por um fim da violência de todos os lados.

"Nós condenamos essas ações, tanto das forças de ocupação israelenses como das facções palestinas", afirmou.

"Isso não ajuda a proporcionar a calma necessária para um processo de paz sério. Nós estamos procurando um cessar-fogo mútuo para acabar com este círculo vicioso”, disse o presidente palestino.

Ele também pediu por um acordo de paz final. "A nossa mão está estendida em direção a Israel".

Mas ele não mencionou a exigência de Israel para que ele combata a ação dos grupos militantes.

As reações ao discurso de Abbas foram mistas.

Zalman Shoval, um assessor do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, disse que Israel estava "mais do que um pouco decepcionado" com a reação de Abbas ao ataque de quinta-feira.

Segundo Shoval, a suspensão de contatos com a Autoridade Palestina era "uma forma de deixar claro ao senhor Abbas que nós não toleraremos mais a mesma atitude" do novo presidente.

Um porta-voz das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo ligado ao movimento Fatah de Mahmoud Abbas, disse que eles não estão preparados para interromper os ataques até que Israel saia dos territórios ocupados.

Um importante representante do Hamas, Mousa Abu Marzouk, disse à agência de notícias Associated Press que o grupo não está pronto para um cessar-fogo.

Novos confrontos

No último episódio de violência, oito palestinos - alguns, armados - foram mortos em confrontos com forças israelenses na Faiza de Gaza.

Cinco palestinos morreram quando tropas israelenses atiraram contra supostos militantes em uma região próxima à cidade de Gaza, e dois palestinos foram mortos em Rafah, perto da fronteira com o Egito.

Mais tarde no sábado, um militante de 20 anos do Jihad Islâmico também foi morto em Rafah.

Uma criança israelense de sete anos perdeu um braço em um ataque com morteiros no acampamento de Netzarim, na região central de Gaza.

Segundo o jornal israelense Haaretz, uma adolescente de 17 anos, Ella Abukasis, ficou seriamente ferida em um ataque a míssel na cidade de Sderot, perto da fronteira com a Faixa de Gaza.


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