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Destruição na Indonésia 'desafia a imaginação', diz ONG | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Funcionários das agências de ajuda humanitária estão sendo surpreendidos ao perceber a verdadeira dimensão da destruição deixada após o maremoto do Oceano Índico na semana passada. Eles descobriram vilarejos em que até 80% de toda a população morreu. Em algumas localidades, os remanescentes sobrevivem apenas à base de cocos. "Os índices de mortalidade em Meulaboh desafiam a imaginação", disse Aitor Lacomba, diretor na Indonésia da organização International Rescue Committee (Comitê Internacional de Resgate). A catástrofe atingiu suas proporções mais extremas na Indonésia, país mais próximo do epicentro do terremoto, onde pelo menos 94 mil pessoas morreram. Apenas em Meulaboh, a remota cidade na ilha indonésia de Sumatra, a mais próxima ao epicentro do terremoto do dia 26 de dezembro, 40 mil pessoas morreram. Antes do desastre, a cidade tinha 95 mil habitantes. Aeroporto O principal aeroporto da província de Aceh, na Indonésia, foi reaberto, permitindo a retomada do descarregamento de mantimentos de primeira necessidade ao local mais atingido pelo maremoto. A pista de pouso e decolagem tinha sido interditada depois de um Boeing 737 carregado de suprimentos ter atropelado uma vaca na pista. As autoridades locais estão pedindo que sejam aumentados os esforços de ajuda humanitária, para atender a população que se aglomera em abrigos improvisados em locais como a prefeitura. Muitos feridos desenvolveram infecções, que têm piorado em razão do clima úmido da região. A operação de ajuda aérea é fundamental para suprir as áreas atingidas pelo tsunami com água, comida e remédios, já que muitas estradas e pontes foram levadas pelas ondas. De acordo com a última contagem, o número de mortos já é de 150 mil e deve crescer ainda mais. Mais de 1,8 milhão de pessoas precisam de comida, e cerca de 5 milhões estão desabrigadas no que está sendo considerado um dos piores desastres naturais da história. O coordenador da ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, disse que o número de mortos na Indonésia ainda deverá passar da cifra oficial de 94 mil. "O número de mortos vai crescer exponencialmente na costa oeste de Sumatra, nunca saberemos qual será o número final. Mas podemos estar falando em dezenas de milhares de mortes adicionais nesta área", declarou ele. Egeland disse que a resposta internacional tem sido exemplar. Até o momento, governos de inúmeros países e agências internacionais de auxílio já prometeram US$ 2 bi de ajuda. A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu ao público que pare de enviar a ela doações em dinheiro para as vítimas do maremoto no Oceano Índico, afirmando já ter recebido ajuda suficiente (mais de US$ 53 milhões). Segundo o MSF, é uma questão de honestidade avisar o público que a entidade não precisa de mais doações. Várias ONGs criticaram a iniciativa. Uma delas disse que o comunicado do MSF poderia dar a impressão errada de que as outras organizações também não precisam mais de doações. EUA O governo americano, inicialmente criticado pelo que foi visto como uma reação tímida à tragédia, tomou nos últimos dias uma série de iniciativas para ajudar a região, incluindo a promessa de doar US$ 350 milhões e o envio de uma delegação encabeçada pelo secretário de Estado americano, Colin Powell. Powell chegou na segunda-feira à Tailândia – primeiro país num giro pela região atingida pelo maremoto –, onde se reuniu com o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra. Nesta terça, o secretário disse que os Estados Unidos não vão abandonar a região e prometeu ajuda americana na criação de um sistema de alarme para tsunamis, que poderia evitar tragédias semelhantes no futuro. Na ilha tailandesa de Phuket, Powell visitou um centro onde famílias que procuram por parentes desaparecidos podem checar listas de hospitais; ele prometeu mais ajuda na dura tarefa de identificação das vítimas.
Powell seguiu para a Indonésia, onde na quinta-feira participa de uma conferência para coordenar os esforços de ajuda internacional. Ele viaja acompanhado de uma delegação que inclui o governador da Flórida e irmão do presidente George W. Bush, Jeb Bush. Novo tremor Um novo grande tremor, que chegou a até 7 graus na escala Richter, atingiu as ilhas indianas de Andaman, uma das regiões mais atingidas pelo tsunami. Só para comparação, o tremor que gerou ondas gigantes no dia 26 chegou a 9 pontos na escala Richter. Moradores abandonaram suas casas e estão reunidos nas ruas em pânico, temendo o pior. Porém, não houve feridos nem danos materiais até o momento. Já na ilha de Bornéu, milhares de pessoas estão voltando para a casa depois de terem sido incitadas a fugir por causa de um falso alarme de tsunami. A polícia do estado de Sabah diz que os rumores podem ter sido espalhados por ladrões que pretendiam saquear as vilas desertas. No Sri Lanka, além dos problemas políticos que têm atrapalhado as operações de ajuda, crianças e mulheres estão sendo vítimas de estupros coletivos, segundo a organização não-governamental Women and Media Collective. A violência ocorre nos campos temporários criados para os desabrigados do tsunami. O número de mortos no país já passa dos 30 mil. |
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