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Local do eventual enterro de Arafat divide Jerusalém | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No equilíbrio frágil entre os palestinos e os israelenses que vivem em Jerusalém, a eventual morte do líder palestino Yasser Arafat já se tornou fonte de confrontação e discordância. Antes de ficar gravemente doente, o líder palestino disse ao mais importante religioso muçulmano da cidade, Mufit Icram al-Sabri, que gostaria de ser enterrado na região árabe de Jerusalém. Um dos locais possíveis seria o complexo de al-Haram al-Sharif, onde fica a mesquita Qubbat al-Sakhra, também conhecida como o Domo da Rocha. O Domo é o terceiro local mais sagrado no mundo para os muçulmanos, depois da Meca e de Medina. Para os palestinos, o desejo de Arafat deveria ser respeitado. Os israelenses, em geral, pensam o contrário. “Na minha opinião, o presidente Arafat deveria ser enterrado aqui”, disse Mohammed Hassan, um comerciante da Cidade Velha, a parte da cidade cercada por uma antiga muralha onde fica o complexo de al-Haram al-Sharif. Proibição Para ele, os palestinos vão ficar muito irritados se o governo israelense impedir que a vontade do líder palestino seja cumprida. No entanto, as autoridades de Israel já disseram que não permitirão o enterro na cidade. A Cidade Velha é uma parte de Jerusalém onde convivem nas mesmas vielas muçulmanos, judeus e cristãos. Lá, ficam alguns dos locais mais sagrados para as três religiões. A mesquita do Domo, o Muro das Lamentações (sagrado para os judeus) e a igreja do Santo Sepulcro – construída no local em que Jesus Cristo teria sido crucificado – estão todos a poucas centenas de metros uns dos outros e são separados apenas por pequenas ruelas, nas quais seguidores das três religiões caminham juntos entre lojas e pequenos cafés. Apenas a presença constante de soldados fortemente armados lembra que a convivência é menos pacífica do que parece à primeira vista. Para alguns israelenses, permitir o enterro de Arafat nessa área é inadmissível. “Ele tem as mão sujas de sangue e não podemos deixar que um terrorista seja enterrado em um local sagrado”, afirmou o estudante e judeu ortodoxo Shmuel Osher, logo após fazer as suas orações em frente ao Muro das Lamentações. 'Fora de Israel' Se dependesse de Osher, o líder palestino não seria enterrado em nenhum local de Israel, nem mesmo nos territórios ocupados. “Outros países talvez possam aceitá-lo.” Ashraf Tyseer, um palestino que tem uma pequena loja na Cidade Velha, não acredita que Arafat possa ser enterrado em Jerusalém, mas espera que uma solução intermediária, melhor do que um enterro na Faixa de Gaza, seja encontrada. Até o momento, Israel aceita a realização do enterro apenas em Gaza. “Talvez ele possa ser enterrado em Ramallah”, diz Tyseer, referindo-se à cidade que sedia o quartel-general da Autoridade Palestina. Se Israel mantiver a sua posição inicial, dificilmente os palestinos de Jerusalém ficarão satisfeitos. No entanto, poucos sabem dizer qual será a reação. “O que poderemos fazer?”, pergunta Tysser, em um tom de frustração e irritação que mantém a dúvida no ar. |
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