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Tailândia investiga morte de 80 sufocados em caminhões | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da Tailândia prometeu uma investigação completa sobre as mortes de mais de 80 pessoas que participaram de uma manifestação de muçulmanos no sul do país na segunda-feira. Um porta-voz do Ministério do Exterior disse que todos os fatos serão apurados. Autoridades tailandesas disseram que a maior parte das vítimas morreu sufocada depois de ter sido detida - muitas dos quais dentro de caminhões do Exército. As vítimas participaram de uma manifestação contra a prisão de seis homens muçulmanos. Violência Líderes muçulmanos no país mostraram revolta com as mortes Em uma entrevista à BBC, o líder do comitê de Relações Exteriores da Tailândia, senador Kraisek Choonhaven, disse que a política de violência do governo está perpetuando a crise nas províncias do sul do país, onde há uma maioria muçulmana. Segundo as autoridades, praticamente todos morreram sufocados enquanto eram levados a instalações do Exército que ficam a várias horas de viagem do local da detenção. Outros seis manifestantes morreram durante confrontos com a polícia, que começaram depois de pelo menos 1,5 mil manifestantes se aglomerarem do lado de fora de uma delegacia de polícia na província de Narathiwat, onde estão presos os seis muçulmanos acusados de vender armas a militantes islâmicos. Mais de mil pessoas teriam sido presas. Convulsões O especialista forense do Ministério da Justiça, Pornthip Rojanasunan, disse à BBC que 80% das vítimas morreram sufocadas e 20% morreram de estresse ou convulsões. O comandante do Exército Sinchai Nujsathit admitiu que "mais de 1,3 mil pessoas foram colocadas nos caminhões de seis rodas" para uma viagem até a província de Pattani, que levou cinco horas. Suthaporn disse que os homens já estavam fracos por estarem jejuando e quando foram amontoados uns em cima dos outros eles provavelmente não conseguiram respirar 'Inferno' O chefe da polícia do sul da Tailândia Manote Graiwong disse à rádio de Bangkok que os manifestantes estavam sendo interrogados para se tentar descobrir quem os convenceu a realizar o protesto e como eles tinham se mobilizado. Ele disse que vários manifestantes estavam armados e aparentavam ter ingerido drogas. Um líder islâmico local disse estar chocado depois de ter sido informado do mais recente número de mortos. "Eu não posso dizer o que vai acontecer, mas acredito que o inferno vai se instalar", disse o diretor do Conselho Islâmico de Narathiwat, Abdulraman Abdulsamad, à Associated Press. 'Trabalho excelente' Porém, o primeiro-ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, que viajou para o sul depois dos confrontos, elogiou a resposta das forças de segurança. "Eles fizeram um trabalho excelente", disse ele a repórteres, antes de o número de mortos ser anunciado. "Eles (os manifestantes) estavam preparados para causar problema, por isso tivemos de tomar uma atitude drástica contra eles." A Malásia, vizinha da Tailândia, mostrou-se preocupada. "Esperamos que o governo tailandês consiga lidar com essa crise de uma forma com que não espalhe nem inflame mais violência", disse o primeiro-ministro Abdullah Ahmad Badawi. Mais de 400 pessoas morreram neste ano em confrontos entre manifestantes e as forças de segurança no sul da Tailândia, de maioria muçulmana. |
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