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Atualizado às: 21 de outubro, 2004 - 17h19 GMT (14h19 Brasília)
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UE faz última oferta sobre programa nuclear ao Irã
instalação nuclear no Irã
Irã nega alegações de que pretende construir armas nucleares
Os países europeus estão dando ao Irã sua última chance para que apresente garantias de que seu programa nuclear tens fins pacíficos.

França, Alemanha e Grã-Bretanha estão em negociações a portas fechadas com o Irã em Viena, a um mês de a ONU decidir se o país está ou não cooperando.

O Irã disse que vai revelar suas propostas para reduzir as preocupações da comunidade internacional assim que a oferta dos europeus for apresentada por escrito.

No entanto, o Irã insiste que não vai concordar com as demandas para que desista de enriquecer urânio.

AIEA

A desistência de enriquecer urânio – que também pode ser usado na produção de bombas atômicas – é chave na demanda dos europeus.

Os Estados Unidos vêm liderando as preocupações com as intenções do Irã, questionando por que um país rico em reservas de gás e petróleo também precisaria de energia nuclear.

Kerry Skyring, correspondente da BBC em Viena, disse que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a agência da ONU encarregada de fiscalizar essa questão, saudou a iniciativa européia, embora não esteja envolvida nas negociações.

Dplomatas que conhecem a posição do Irã, porém, dizem ser improvável que haja uma resposta imediata de Teerã e que as negociações podem se arrastar por algum tempo, segundo o correspondente.

Segundo a correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, o Irã fez um teste com mísseis de longo alcance na quarta-feira, no que parece ter sido uma deliberada demonstração de força militar um dia antes das negociações em Viena.

novo míssil iraniano
Irã diz ter aumentado alcance do míssil Shahab-3

Reator

Representantes dos ministérios do exterior dos três países europeus estão reunidos com um enviado do Irã em um lugar secreto, em Viena, para fugir da mídia.

Na capital da Áustria também fica a sede da AIEA que, no dia 25 de novembro, deve decidir qual o grau de cooperação do Irã.

Uma decisão negativa pode levar a questão para discussão no Conselho de Segurança da ONU, com ameaça de sanções.

Segundo um documento vazado para as agências de notícias, entre os incentivos que provavelmente serão oferecidos ao Irã na quinta-feira está tecnologia nuclear, como um reator de água leve, em troca de prova de que Teerã não está tentando construir armas nucleares.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos tem questionado se é sábia a decisão de oferecer ao Irã – que depende amplamente da Rússia para o seu programa – nova tecnologia.

"Não vemos a lógica econômica ou qualquer outra para um país como o Irã tentar gerar eletricidade com energia nuclear, dado que eles queimam muito mais gás todos os anos do que a energia que eles poderiam obter da usina nuclear sobre a qual eles estão falando", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

Condição

O chefe da delegação iraniana junto à AIEA, Hossein Mousavian, disse em Viena, na quarta-feira, que as negociações fracassariam se ao Irã não fosse permitido manter controle sobre todo o ciclo nuclear.

"Se a demanda for para que o Irã desista do ciclo de combustível nuclear, não se deve ter qualquer esperança nas negociações", disse.

Segundo a correspondente em Teerã, não está claro quais as contra-propostas do Irã que poderiam resolver as tensões internacionais.

O presidente do Irã, Mohamed Khatami, tem dito que seu país vai cumprir qualquer tipo de cooperação para provar ao mundo que não está caminhando na direção de um programa armamentista.

No entanto, ele diz que "os direitos legítimos (de seu país) à tecnologia nuclear" precisam ser respeitados.

Míssil

Na quarta-feira, o Irã fez um teste com uma nova versão do míssil Shahab-3.

A arma, que, segundo o Irã, teve seu alcance ampliado para 2 mil quilômetros, foi testado diante de observadores, de acordo com o ministro da Defesa iraniano, Ali Shamkani.

Acredita-se que o míssil pode carregar armas nucleares e seu alcance ampliado poderia pôr Israel dentro de sua mira, segundo a correspondente.

Especialistas em defesa dizem que é normal refinar o alcance e a pontaria de um míssil com muitos testes. O último teste divulgado foi feito durante exercícios militares em agosto.

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