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Atualizado às: 08 de outubro, 2004 - 13h56 GMT (10h56 Brasília)
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Afeganistão: Veja os principais fatos da história
Zahir Shah, antigo rei do Afeganistão
O antigo rei Zahir Shah voltou a Cabul em 2002
1919 - O Afeganistão recupera a independência depois de uma terceira guerra contra as forças britânicas, que tentaram colocar o país dentro de sua esfera de influência.

1926 - Amanullah se proclama rei e tenta introduzir reformas sociais, o que desperta a oposição de forças conservadoras.

1929 - Amanullah foge depois de distúrbios no país ocorridos em função de suas reformas.

1933 - Zahir Shah se torna rei do Afeganistão, que vive sob uma monarquia pelos próximos 40 anos.

1953 - O general Mohammed Daud se torna primeiro-ministro. O país se volta para a União Soviética em busca de assistência econômica e militar. Daud introduz uma série de reformas sociais, tais como a abolição do "purdah" (prática de manter as mulheres distantes do olhar público).

1963 - Mohammed Daud é forçado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro.

1964 - Introduzida a monarquia constituciona, mas isso leva a uma polarização política e a lutas de poder.

1973 - Mohammed Daud toma o poder em um golpe de Estado e declara o Afeganistão uma república. Ele tenta explorar a rivalidade entre a União Soviética e os poderes ocidentais. Seu estilo aliena facções esquerdistas que se unem a forças contrárias a Daud.

1978 - O general Daud é deposto e morto em um golpe perpetrado pelo Partido Democrático do Povo. Mas as facções Khalq e Parcham dentro do partido se desentendem, levando a um expurgo ou exílio da maioria dos líderes da facção Parcham. Ao mesmo tempo, conservadores islâmicos e líderes étnicos que se opuseram a mudanças sociais começam uma revolta armada no campo.

Mulheres de burka em Herat
Mulheres afegãs foram obrigadas a usar burka

1979 - A luta de poder entre os líderes esquerdistas Hafizullah Amin e Nur Mohammed Taraki na capital, Cabul, é vencida por Amin. Revoltas no campo continuam e o Exército afegão enfrenta dissolução. A União Soviética acaba enviando tropas para ajudar a retirar Amin do poder. Ele é executado.

Intervenção soviética

1980 - Babrak Karmal, líder da facção Parcham do Partido Democrático do Povo, torna-se governante com o apoio de tropas soviéticas. Mas a resistência ao regime se intensifica, com vários grupos mujahedin combatendo as forças soviéticas. Estados Unidos, Paquistão, China, Irã e Arábia Saudita entram com dinheiro e armas.

1985 - Os mujahedin se reúnem no Paquistão para formar uma aliança contra as forças soviéticas. Estima-se que metade da população afegã tenha sido desalojada pela guerra, e muitas pessoas fugiram para o Irã ou o Paquistão. O novo líder soviético, Mikhail Gorbachev, diz que vai retirar os soldados soviéticos do Afeganistão.

1986 - Os Estados Unidos começam a armar os mujahedin com mísseis Stinger, permitindo que eles derrubem helicópteros bélicos soviéticos. Babrak Karmal é substituído por Najibullah à frente do regime apoiado pelos soviéticos.

1988 - Afeganistão, União Soviética, Estados Unidos e Paquistão assinaram acordos de paz e a União Soviética começa a retirar suas tropas do território afegão.

Facções mujahedin unem-se para combater soviéticos
Combatentes mujahedin

1989 - Os últimos soldados soviéticos deixam o Afeganistão, mas a guerra civil continua e os mujahedin tentam derrubar Najibullah.

1991 - Estados Unidos e União Soviética concordam em pôr fim à ajuda militar a ambos os lados.

Triunfo dos mujahedin

1992 - A resistência se aproxima de Cabul e Najibullah é deposto. Milícias rivais disputam influência.

1993 - Facções mujahedin concordam em formar um novo governo e Burhanuddin Rabbani, de origem étnica tadjique, é proclamado presidente.

1994 - A disputa de influência entre as facções continua, e o movimento Talebã, dominado pela etnia patã, emerge como o grande rival do governo de Rabbani.

1996 - O Talebã assume o controle de Cabul e introduz uma versão radical de islamismo, proibindo as mulheres de trabalhar e impondo penas islâmicas que incluem o apedrejamento até a morte e amputações. Rabbani foge, para se unir à Aliança do Norte, que combate o Talebã.

Pressão sobre o Talebã

1997 - O Talebã é reconhecido como governante legítimo do país por Paquistão e Arábia Saudita. A maioria dos outros países continua a ver Rabbani como o chefe de Estado. O Talebã agora controla cerca de dois terços do país.

1998 - Terremotos matam milhares de pessoas. Os Estados Unidos lançam mísseis contra supostas bases do militante Osama Bin Laden, acusado de ser o responsável por atentados a bomba em embaixadas americanas na África.

1999 - A ONU impõe um embargo aéreo e sanções financeiras para forçar o Afeganistão a entregar Osama Bin Laden a julgamento.

Janeiro/2001 - A ONU impõe mais sanções contra o Talebã, ainda com o objetivo de forçá-lo a entregar Osama Bin Laden.

Março/2001 - O Talebã destrói com explosivos estátuas gigantescas de Buda, desafiando esforços internacionais para salvar os monumentos.

Abril/2001 - O mulá Mohammad Rabbani, o segundo líder mais poderoso do Talebã depois do comandante supremo, o mulá Mohammad Omar, morre de câncer no fígado.

Maio/2001 - O Talebã manda as minorias religiosas a usarem uma etiqueta se identificando como não-muçulmanas, e mulheres hindus são obrigadas a se cobrirem com véus como as outras mulheres afegãs.

Setembro/2001 - Oito funcionários estrangeiros de organização humanitária são julgados na Suprema Corte por promover o cristianismo. Isso ocorre depois de meses de tensão entre o Talebã e organizações assistenciais. Ahmad Shah Masood, famoso guerrilheiro e líder da principal oposição ao Talebã, é morto, aparentemente por assassinos que fingiram ser jornalistas.

Outubro/2001 - Estados Unidos e Grã-Bretanha realizam bombardeios contra o Afeganistão depois que o Talebã se recusou a entregar-lhes Osama Bin Laden, considerado responsável pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Novembro/2001 - Forças de oposição tomam Mazar-e-Sharif e, em poucos dias, marcham para Cabul e outras cidades importantes.

A queda do Talebã

5/dezembro/2001 - Grupos afegãos chegam a um acordo para a formação de um governo interino em Bonn, na Alemanha.

7/dezembro/2001 - O Talebã acaba abrindo mão de seu último reduto, Kandahar, mas o mulá Omar continua foragido.

22/dezembro/2001 - Hamid Karzai, líder patã pró-monarquia, é empossado como chefe de um governo interino de poder compartilhado com 30 membros.

Janeiro/2002 - O primeiro contingente de tropas de paz estrangeiras é enviado ao Afeganistão.

Abril/2002 - O antigo rei Zahir Shah volta ao país, mas diz que não vai reivindicar o trono.

Maio/2002 - O Conselho de Segurança da ONU prorroga o mandato da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês) até dezembro de 2002.

Forças aliadas continuam sua campanha militar para encontrar as forças remanescentes do Talebã e Al-Qaeda no sudeste do país.

Junho/2002 - A Loya Jirga, ou grande conselho, elege Hamid Karzai como chefe de Estado interino. Karzai escolhe os integrantes de sua administração que ficarão nos cargos até 2004.

Julho/2002 - O vice-president Haji Abdul Qadir é assassinado por homens armados em Cabul.

Bombardeio americano na província de Uruzgan mata 48 civis, vários deles eram convidados de uma festa de casamento.

Setembro/2002 - Karzai escapa por pouco de uma tentativa de assassinato em Kandahar, sua cidade natal.

Dezembro/2002 - O presidente Karzai e líderes do Paquistão e do Turcomenistão assinam um acordo abrindo caminho para a construção de um gasoduto que passa pelo Afeganistão, levando gás do Turcomenistão para o Paquistão.

O Banco Asiático de Desenvolvimento retoma seus empréstimos ao Afeganistão depois de um intervalo de 23 anos.

Junho/2003 - Choques entre combatentes do Talebã e forças do governo na província de Candahar deixam um saldo de 49 mortos.

Agosto/2003 - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assume o controle da segurança em Cabul. Este é o primeiro compromisso operacional da aliança de defesa ocidental fora da Europa.

Nova Constituição

Janeiro/2004 - A Loya Jirga adota uma nova Constituição que prevê uma Presidência forte.

Março/2004 - O Afeganistão consegue US$ 8,2 bilhões em ajuda nos próximos três anos.

Abril/2004 - Combates na região noroeste entre um comandante regional e um governador provincial aliado do governo.

Vinte pessoas, inclusive dois funcionários de organização humanitária e um delegado, são mortos em incidentes no sul do país. Militantes do Talebã são suspeitos de envolvimento.

Primeira execução desde a queda do regime do Talebã.

Junho/2004 - Onze chineses que trabalham na construção civil são mortos por homens armados em Kunduz.

Setembro/2004 - Um foguete é lançado contra o helicóptero que transportava o presidente Hamid Karzai, e erra por pouco. Este é o atentado mais grave à vida do líder afegão desde setembro de 2002.

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