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Atualizado às: 03 de outubro, 2004 - 16h35 GMT (13h35 Brasília)
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Declarações de reféns libertadas divide italianos

Simona Pari (à esq.) e Simona Torretta
Simona Pari (à esq.) e Simona Torretta
Depois de três semanas de completo silêncio seguido de anúncios de morte em dois websites árabes, poucas pessoas na Itália imaginavam que as duas italianas que foram sequestradas no Iraque reapareceriam sem ferimentos e sorrindo.

Mas o que ninguém pensou é que depois de todas as vigílias, passeatas silenciosas e comoção nacional pela sua libertação, elas se veriam no centro de um turbilhão depois de voltarem pra casa.

No primeiro dia de libertade, em vez de agradecerem ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi pela liberade, Simona Pari e Simona Torretta pediram ao governo que tirasse as tropas do país do Iraque.

Há informações de que um resgate de US$ 1 milhão foi pago pela libertação da duas italianas, mas o governo negou oficialmente ter pago o resgate.

Ocupação

Desde o início, elas disseram que pretendiam continuar fazendo o trabalho de ajuda humanitária que faziam antes, e agradeceram aos países árabes, rebeldes que lutam pela liberdade do Iraque e ao mundo muçulmano por terem trabalhado pela sua liberdade.

Elas contaram ter sido ameaçadas com uma faca na garganta e que viveram constantemente com medo de ser mortas "até o momento em que desceram do avião".

Mas apesar disso, afirmam que isso não mudou a visão delas de que o Iraque é um país ocupado lutando por liberdade.

"A guerrilha é legítima, mas sou contra o sequestro de civis", disse ao jornal italiana Corriere della Sera Simona Torretta, que fala árabe e já estava vivendo no Iraque antes da queda de Saddam Hussein.

"É preciso diferenciar o terrorismo e a resistência. Eu disse isso antes e repito agora", disse ela, que descreveu o primeiro-ministro Iyada Allawi como "um fantoche nas mãos dos americanos".

Por mais de 20 dias, jornais de todas as linhas mostraram as duas voluntárias como exemplo de compaixão e despojamento pessoal.

Mas depois das críticas ao governo depois da libertação, as "florzinhas da paz" como haviam sido apelidadas pela imprensa italiana se tornaram objeto de duras críticas dos políticos e de parte da imprensa.

Elas passaram a ser descritas como frias, condescendentes e ingratas com o governo, e foram criticadas por não mencionarem outros sequestrados.

Havia uma grande expectativa no país para ouvir o relato das duas voluntárias sobre os seus dias em cativeiro.

No fim, as duas agradeceram a intervenção do governo e disseram que não sabiam da decapitação dos dois americanos e do sequestro do engenho britânico Ken Bigley quando fizeram as primeiras declarações após a libertação.

De qualquer forma, a tão elogiada colaboração entre governo e oposição para libertar as duas mulheres está definitivamente encerrada, e o país está de novo dividida entre os que apóiam a presença italiana no Iraque e os que acham que está na hora de trazer os soldados de volta pra casa.

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