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Atualizado às: 30 de agosto, 2004 - 22h11 GMT (19h11 Brasília)
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Reféns franceses fazem novo apelo ao governo
Georges Malbrunot, do jornal "Le Figaro"
Georges Malbrunot desapareceu há mais de uma semana
A rede de TV árabe Al Jazeera mostrou um novo vídeo dos dois jornalistas franceses seqüestrados no Iraque, no qual eles pedem ao governo que reveja a decisão de proibir o véu islâmico nas escolas estatais.

No vídeo transmitido pela Al Jazeera, os jornalistas Christian Chesnot, da Rádio França Internacional, e Georges Malbrunot, do jornal Le Figaro disseram que temem por suas vidas.

Os seqüestradores haviam dado prazo até a segunda-feira à noite para que a França suspendesse a proibição, mas, segundo a rede de TV, o prazo foi estendido em 24 horas.

No entanto, nenhuma ameaça específica foi feita, e o governo já disse que não vai ceder à exigência.

O vídeo foi mostrado depois de uma série de protestos em Paris, a capital francesa, em apoio aos reféns.

Negociações

O ministro francês das Relações Exteriores, Michel Barnier, fez um apelo emocionado nesta segunda-feira para que os militantes islâmicos libertem os dois jornalistas.

No Egito, o ministro francês disse que foi ao Oriente Médio para explicar que a França é tolerante com todas as religiões e direitos humanos.

Manifestação em Paris
Franceses realizaram manifestação em Paris em apoio dos seqüestrados

As autoridades em Paris intensificaram os contatos diplomáticos depois que o presidente Jacques Chirac resolveu não poupar esforços para assegurar a liberdade dos jornalistas.

Hubert Colin de Verdiere, do Ministério das Relações Exteriores, está em Bagdá para negociar a crise, enquanto o ministro Barnier está no Cairo para liderar a campanha pela libertação dos dois reféns.

Os dois jornalistas trabalham no Oriente Médio há vários anos e escreveram dois livros juntos sobre o Iraque.

Boa vontade

Barnier disse a jornalistas no Cairo que os dois – que aparentemente viajavam de Bagdá a Najaf quando desapareceram, há mais de uma semana – estavam fazendo o trabalho deles, tentando mostrar a realidade do Iraque para o resto do mundo.

"Esses dois homens de boa vontade sempre mostraram sua compreensão deste povo e sua admiração pelo mundo árabe e muçulmano", afirmou o ministro.

"Eu peço a liberdade deles em nome de princípios de humanidade e respeito pelos direitos humanos, que estão no coração da mensagem do Islã e das práticas religiosas muçulmanas", acrescentou Barnier.

O ministro disse que quer explicar ao povo muçulmano que a Constituição e as leis francesas "garantem a todos que vivem na França a liberdade de consciência e de religião".

Segundo o correspondente da BBC em Paris Angus Roxburgh, os franceses têm esperanças porque a França foi um dos países que mais fortemente se opôs à guerra no Iraque.

”Ataque”

Imagens dos dois reféns já haviam sido transmitidas pela rede de TV Al-Jazeera no sábado passado.

Muçulmanas com lenços na França
Seqüestradores defendem o direito do uso do véu islâmico

No vídeo, os seqüestradores exigiam a suspensão da proibição aos véus islâmicos dentro de 48 horas, mas o grupo não disse o que aconteceria caso a exigência não fosse cumprida.

Segundo a Al Jazeera, o grupo que se autodenomina "O Exército Islâmico do Iraque" descreveu a lei como "um ataque à religião islâmica e às liberdades individuais".

O grupo é o mesmo que teria assassinado o jornalista italiano Enzo Baldoni na semana passada. A lei que proíbe o véu islâmico deve entrar em vigor na França na quinta-feira, quando começa o novo ano letivo no país.


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