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19 de julho, 2004 - 07h30 GMT (04h30 Brasília)

Gilberto Lopes
da Nicarágua

Após 25 anos, revolução sandinista ainda define a Nicarágua

Quais as lembranças mais importantes da Revolução Sandinista, cuja vitória comemora 25 anos nesta segunda-feira? Naturalmente, a resposta depende do ponto de vista.

"Toda ditadura provoca uma reação", disse Adolfo Calero, líder dos contras, que com apoio americano fizeram a oposição armada aos sandinistas.

A revolução significou uma mudança radical da vida na Nicarágua, na opinião de Dora Maria Téllez, comandante guerrilheira e dirigente sandinista.

"A revolução acabou com a ditadura de (Anastásio) Somoza e a liquidação da ditadura foi uma mudança permanente na vida da Nicarágua", afirmou.

Sandino

Para o ex-embaixador do governo sandinista na Organização das Nações Unidas (ONU), Alejandro Bendaña, "Sandino" é a lembrança da revolução que não vai se apagar.

"A Sandino não podem enterrar. Muitas vezes procuramos respostas no futuro, quando o que temos de fazer é olhar para trás. Na obra de Sandino e no seu pensamento estão as pistas do futuro, os elementos da utopia", disse Bendaña.

General de seu "pequeno exército", em 1932 Augusto César Sandino combateu por sete anos uma das muitas intervenções dos Estados Unidos em seu país.

Um ano depois, os americanos se foram e Sandino deu a luta por encerrada, mas o destino dele já estava traçado.

Em uma viagem a capital, Manágua, para um encontro com o presidente, ele foi assassinado, no dia 21 de fevereiro de 1934.

Somoza

Dois anos depois o primeiro representante da família dos Somoza assumiu o governo do país, que ele e seus filhos governariam até a revolução sandinista em 1979.

Em 1990, os sandinistas deixaram o poder quando Daniel Ortega foi derrotado por Violeta Chamorro em eleições gerais.

Sandino consegue unir nicaraguenses que já lutaram em lados contrários.

Jaime Morales Carazo, banqueiro, empresário e líder contra-revolucionário tem em casa um busto do general Sandino.

Estados Unidos

O papel dos Estados Unidos foi decisivo na luta contra os sandinistas, mas é também motivo de polêmica.

Calero afirma que o apoio do presidente americano, Ronald Reagan, só veio cerca de dois anos depois que o movimento contra-revolucionário já havia surgido na Nicarágua.

A estratégia de Washington passava pela "guerra de baixa intensidade", com o uso de armas convencionais e sem a presença do tropas americanas no terreno.

Naqueles anos, estorou o escândalo Irã-contras: os Estados Unidos estavam vendendo armas para os iranianos e com o lucro forneciam equipamentos também aos contras na Nicarágua.

Assim, se contornava a proibição, instituida pelo congresso, à venda de armas aos insurgentes nicaraguenses.