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Atualizado às: 24 de julho, 2004 - 23h15 GMT (20h15 Brasília)
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Juiz decide poupar ex-presidente do México de prisão
O ex-presidente do México Luis Echeverría
Luis Echeverría poderia ser o primeiro ex-presidente mexicano a enfrentar processo pela "guerra suja"
Um juiz do México decidiu não emitir um mandado de prisão contra o ex-presidente Luis Echeverría, em conexão com as mortes de estudantes que realizavam um protesto no país mais de 30 anos atrás.

Na sexta-feira, um promotor disse que o episódio em 1971, durante a qual dezenas de estudantes teriam sido mortos, poderia ser interpretado como genocídio à luz da lei mexicana.

O promotor, Ignacio Carrillo, foi responsável por um inquérito que, durante dois anos, analisou acontecimentos da “guerra suja” – como ficou conhecido o período nos anos 70 e 60 quando ativistas de esquerda eram reprimidos pela polícia.

Ainda não se sabe ao certo o que levou o juiz José César Flores a poupar Echeverría, mas advogados de defesa haviam argumentando que o prazo legal para que o ex-presidente pudesse ser processado pelos crimes já havia expirado.

Recurso

Um porta-voz do órgão criado para investigar os crimes da “guerra suja” disse à agência de notícias Associated Press que a promotoria planeja apresentar um recurso contra a decisão de não prender Echeverría.

Além do ex-presidente, Carrillo teria pedido a prisão de outros líderes do seu governo, que foi de 1970 a 1976.

O promotor não chegou a mencionar publicamente o nome de Echeverría como um dos possíveis envolvidos nos crimes – mas um advogado do ex-presidente se pronunciou dizendo que as mortes de estudantes não poderiam ser qualificadas como genocídio.

Não se sabe exatamente quantos morreram no dia dez de junho de 1971 durante uma operação dos Halcones – um grupo armado que muitos acreditam que tinha ligações com o governo de Echeverría, do PRI (Partido Revolucionário Institucional).

Pressão

De acordo com a correspondente da BBC no México Claire Marshall, a decisão deve satisfazer os membros do PRI, partido que governou o México por mais de 70 anos.

Representantes do partido mostraram indignação com o parecer de Ignacio Carrillo e, segundo Marshall, pressionaram consideravelmente o presidente Vicente Fox a abandonar as investigações.

Santiago Corcuera, diretor de estudos sobre direitos humanos da Universidade Iberoamericana do México, disse à BBC que “pode haver base suficiente para o promotor contestar a decisão do juiz”.

Ele explica que o México é signatário de uma convenção que diz que, em caso de acusações graves, a proscrição de crime baseada no tempo que se passou desde que ele foi cometido não deve ser aplicada.

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