|
Gays criticam nos EUA casamento homossexual | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proposta de uma emenda constitucional para acabar de vez com o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos dividiu a sociedade americana em geral, até mesmo a comunidade homossexual do país. Embora a grande maioria dos ativistas gays condenem os esforços do presidente George W. Bush para obter a emenda, há entre eles alguns que são contra o casamento homossexual e estão decepcionados com a insistência da comunidade em conseguir este selo de aprovação social. Entre eles, muitos militantes formados na contracultura dos anos 60 e 70, com sua rejeição a casamentos, seja entre pessoas do mesmo sexo, seja entre pessoas de sexos diferentes. "Não acho que o casamento seja necessariamente a melhor forma de organização da sociedade. Precisamos de novas formas de união para relações tanto de homossexuais quanto heterossexuais e não insistir em uma instituição que já mostrou muitas falhas", diz o histórico ativista gay americano Michel Bronski, hoje professor na Universidade de Dartmouth, em New Hampshire. O Senado americano deve discutir e votar nesta quarta-feira os procedimentos para a apreciação da proposta de emenda constitucional. Os republicanos desistiram de apresentar a emenda em si para a votação quando perceberam que seria impossível conseguir os dois terços dos votos do Senado necessários para este tipo de mudança. Eleições Segundo analistas, os republicanos querem de qualquer modo colocar o tema em discussão em Washington para que os senadores John Kerry e John Edwards - os candidatos democratas à Presidência e à vice-presidência - sejam obrigados a tomar uma posição. Os dois disseram que não param a campanha eleitoral para votarem no Senado se a discussão for apenas sobre questões de procedimentos. Os dois já declararam que são contra o casamento homossexual, mas que também se opõem à inclusão do tema na Constituição. "Minha rejeição é ao modelo de casamento que é defendido pelos conservadores. Mas se a opção do casamento é dada aos heterossexuais, não há motivo para tratar homossexuais de maneira diferente." Defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo argumentam que o reconhecimento oficial é necessário para garantir direitos, como a extensão de plano de saúde a dependentes e reduções de impostos. Prioridades A advogada e ativista lésbica Kara Suffredini concorda com a necessidade de que estes benefícios cheguem a mais pessoas. Mas ela discorda que o casamento seja a única forma de obtê-los. "Precisamos de fórmulas que ampliem os benefícios recebidos hoje apenas por pessoas casadas também para os relacionamento, homossexuais ou heterossexuais, que não envolvam casamento." "As pessoas não deveriam ser obrigadas a se casar para serem beneficiadas pelo plano de saúde proporcionado pelo emprego do parceiro", afirma. A ativista observa que a reação dos conservadores às discussões sobre casamento homossexual acabou atrapalhando muito o esforço dos que tentam criar alternativas ao casamento. "No Estado de Ohio foi aprovada uma lei que não só proibiu o casamento homossexual como também bloqueou os benefícios públicos a parceiros não casados, sejam do mesmo sexo ou de sexos diferentes." Parcerias domésticas Michael Bronski concorda com a necessidade do Estado ter algum meio de reconhecer relações oficialmente. Bronski sugere o modelo das "parcerias domésticas", que está em discussão na França. O sistema permitiria o estabelecimento de uma união oficial entre pessoas que vivam juntas e dividam responsabilidades, independentemente do sexo e mesmo que não haja uma relação romântica entre eles. "Um irmão e uma irmã solteiros morando juntos poderiam oficializar uma união assim", exemplifica Bronski. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||