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Revista faz sucesso dando voz a favelados da Índia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma equipe reunida nos guetos da Índia está editando com sucesso a primeira revista que trata da realidade dos moradores das favelas do país. Slum Jagathu, ou Mundo da Favela, é uma publicação mensal que busca retratar a vida em enormes assentamentos residenciais negligenciados pelo Estado, onde vive a maior parte dos pobres dos grandes centros urbanos indianos. "Não é apenas uma revista, É uma voz ecoando a batalha dos moradores das favelas", diz o editor Isaac Arul Selva. "Nosso principal objetivo é inspirar um movimento para lutar pelos nossos direitos básicos." Educação x sobrevivência Selva, oriundo de uma família de oito irmãos em que a sobrevivência, e não a educação, era a prioridade, contou que teve de deixar de estudar para ganhar a vida. Após uma série de empregos e trabalhos não-qualificados, Selva lançou há quatro anos a revista, com sede em Bagalore (sul da Índia). Publicada na língua local kannada, a revista em branco e preto sem fins lucrativos tem inspirado moradores de favelas de todas as idades não só em Bangalore, mas também nas cidades de Mysore, Mandya, Davangere e Hospet. "A tiragem já chegou aos 2,5 mil exemplares. A resposta tem sido muito encorajadora", contou Selva. Ele estabeleceu uma rede de repórteres, mas estimula qualquer morador de favela que tiver uma história a contar a publicá-la. A maioria das contribuições chega ao seu escritório pelo correio. A última edição traz uma reportagem sobre o sucesso de N. Hanumanthappa, trabalhando como auxiliar de escritório do prestigioso Instituto Indiano de Gerenciamento. "Morei numa favela em que dejetos hospitalares e carcaças de animais eram despejados. Era terrível, mas não nos entregamos", relata Hanumanthappa. "Alguns de nós nos organizamos para lutar por uma vida melhor."
O editor Selva contou ainda que a última revista traz um perfil da gari Papamma. "Ela ganha 40 rupias (menos de um dólar) por dia vendendo cigarros. Ela não só sustenta a família com esse dinheiro, como também alimenta algumas crianças de rua todos os dias." Na Índia, assim como em outros países, um dos principais problemas enfrentados pelos moradores de favela é a discriminação e a falta de conforto básico. "Somos todos seres humanos. O governo e os bem de vida esquecem disso", afirma Suresh, o subeditor da revista. Suresh viveu dias difíceis na idade escolar porque seu pai ganhava um salário baixo como atendente de um estacionamento e mal conseguia sustentar a família. Apesar dos contratempos, Suresh não desistiu de estudar e acabou até se destacando como bom aluno. Com uma bolsa de estudos, ele se formou em artes pelo National College, uma instituição de boa reputação em Bangalore. Computação Envergonhado de não saber usar computadores numa cidade que se orgulha por ser chamada de "Vale do Silício" da Índia, Suresh passou a estudar também programação. "Fico a maior parte do tempo na internet. Qualquer coisa que se fale sobre favelas em qualquer lugar do mundo me atrai", afirma Suresh. A revista cobre temas ligados a violações dos direitos humanos nas favelas e à apatia do governo na implementação de programas para o desenvolvimento desses lugares. A publicação é apolítica e não busca apoio financeiro de nenhuma organização. "Não queremos ser escravos de ninguém ou ser explorados. Nossas opiniões são independentes e livres", declara Selva. Ele se irrita com o comportamento despreocupado dos empresários das indústrias de software da região, que alimentam a riqueza de centenas de milionários moradores de apartamentos de alto padrão. Esse pólo de alta tecnologia na Índia coexiste com mais de 700 favelas na cidade. "Esqueça o apoio da indústria de tecnologia, eles não nos querem por perto", afirma Selva. |
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