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Portugueses e checos chegam às semifinais como favoritos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A motivada seleção de Portugal e a inspirada República Checa chegam às semifinais da Eurocopa 2004 como favoritas na disputa contra a irregular equipe da Holanda e a surpreendente Grécia. Apesar da derrota na estréia e da tensão dos pênaltis nas quartas-de-final, os portugueses contam com o forte apoio da torcida e com uma equipe em ascensão para enfrentar uma seleção holandesa capaz de alternar, em uma mesma partida, momentos de inconsistência com um futebol ofensivo e vistoso. Na outra semifinal, a República Checa aposta na força do conjunto responsável pela melhor campanha e pelas melhores exibições do torneio para evitar que a seleção grega repita a zebra que já protagonizou três vezes na Eurocopa 2004 – contra Portugal, Espanha e França. O favoritismo de checos e portugueses, no entanto, está longe de significar garantia de vitória, principalmente em uma competição em que dois dos principais candidatos ao título – Itália e França – não conseguiram sequer uma vaga entre os quatro semifinalistas. Empolgação doméstica x Talento irregular Na partida em que eliminou a Inglaterra nos pênaltis, Portugal mostrou ter um elenco cheio de boas opções – dois reservas marcaram os gols da equipe durante o jogo – e um técnico de estrela – as substituições que Luiz Felipe Scolari fez foram decisivas. Após perder no jogo de estréia para a Grécia, a seleção portuguesa se acertou no torneio graças principalmente a duas mudanças: as entradas de Ricardo Carvalho, na defesa, e Deco, no meio-campo. Os dois têm sido as mais importantes peças da equipe e podem ser decisivos para o sucesso dos anfitriões na Eurocopa 2004. Para evitar uma decepção, Portugal precisa – como bem frisou o próprio treinador da seleção durante o fim de semana – impedir que os rumores sobre a insatisfação do astro Luís Figo atrapalhem a ascensão da equipe e controlar o excesso de confiança que toma conta do país. Afinal, antes de pensar no título é preciso vencer a Holanda. Os holandeses também tiveram que ir até a disputa de pênaltis para chegar às semifinais e, para isso, precisaram superar um trauma: nas últimas três edições da Eurocopa, a seleção holandesa foi eliminada do torneio na decisão por penalidades. A classificação contra a Suécia foi um exemplo de como tem sido a campanha da Holanda no torneio: em alguns lances, a equipe mostrou que tem alguns dos melhores jogadores da Europa, mas, na maior parte do jogo, a seleção holandesa foi incapaz de combinar seus talentos individuais com um conjunto organizado. Apesar disso, os holandeses parecem ter finalmente encontrado a melhor formação para a sua seleção: com o artilheiro Ruud van Nistelrooy à frente, apoiado por Andy van der Meyde, à direita, e Arjen Robben, à esquerda; e um meio-campo de força e criatividade com Philip Cocu, Edgar Davids e Clarence Seedorf. Sensação x Zebra Se regularidade e bom futebol bastassem para vencer a Eurocopa, a seleção da República Checa já poderia se considerar a campeã. Com quatro vitórias em quatro jogos e o melhor ataque da competição, os checos são a sensação do torneio graças a uma equipe equilibrada e ofensiva. Em uma época em que a maioria opta por povoar o meio-campo com volantes, a seleção checa escala um trio de meias de criação: o versátil Tomas Rosicky, o habilidoso Karel Poborsky e o completo Pavel Nedved. No ataque, há ainda a força de Jan Koller e a velocidade e técnica do artilheiro da Eurocopa, Milan Baros. O único problema dessa empolgante formação é a vulnerabilidade da defesa. A República Checa tomou gols em três dos quatro jogos que disputou e o sucesso da equipe depende muito do fôlego dos jogadores de meio-campo na ajuda ao inseguro setor defensivo. Para evitar que a grande zebra da Eurocopa 2004 volte a aprontar, convém à seleção checa redobrar os cuidados diante da equipe mais pragmática do torneio: a Grécia, que não tem vergonha de jogar feio e apelar à retranca para vencer. A equipe grega gira em torno de quatro principais jogadores: o lateral Giorgios Seitaridis é quem puxa boa parte dos contra-ataques; na defesa, o zagueiro Traianos Dellas é o xerife; no meio-campo, o capitão Theo Zagorakis é o comandante da equipe; e na frente, o atacante Angelos Charisteas centraliza as jogadas ofensivas. Os gregos permanecem recuados e só se arriscam em contra-ataques quando encontram uma brecha oportuna. Com essa estratégia, a seleção grega já foi muito além do que se esperava – a presença nas semifinais é uma conquista histórica para o país. Por isso mesmo, como não tem nada a perder, a Grécia é ainda mais perigosa. |
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