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Terrorismo nuclear é questão de tempo, diz Baradei | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, a agência nuclear das Nações Unidas), Mohammed El Baradei, disse nesta segunda-feira que o mundo está em uma “corrida contra o tempo” para evitar que terroristas tenham acesso a material nuclear. Em uma conferência em Washington, Baradei manifestou seu apoio a uma proposta de uma fundação internacional, o Carnegie Endowment for Internacional Peace, que sugere que as grandes potências nucleares façam concessões em prol da segurança global. “Nós estamos verdadeiramente em uma corrida contra o tempo que eu não acho que não podemos nos dar ao luxo de disputar”, disse o diretor da AIEA. “O perigo é tão iminente (...), não apenas quanto à possibilidade de países adquirirem armas nucleares, mas também quando a terroristas colocarem as mãos em alguns desses materiais nucleares, como urânio ou plutônio”. “Quanto mais cedo começarmos, melhor para todos os envolvidos”, completou El Baradei. Proposta ambiciosa A preocupação internacional quanto à proliferação nuclear aumentou depois que, em fevereiro, surgiu a notícia de que um cientista paquistanês revelou segredos nucleares a outros países. De acordo com o correspondente da BBC em Washington Jonathan Marcus, o plano do Carnegie Endowment, que recebeu o apoio de Baradei, é certamente ambicioso. A proposta diz que todas as questões relacionadas à posse de armas nucleares precisam ser tratadas dentro de um mesmo fórum de discussão e tomada de decisões. Todos os países, sejam eles potências nucleares ou não, teriam que fazer concessões para que todos pudessem ganhar. No entanto, Marcus disse que alguns especialistas em Washington estão céticos quanto a possibilidade de tal proposta ser aprovada. Segundo eles, o capital político é limitado e precisa ser concentrado na resolução de problemas mais individualmente, como no impasse envolvendo Índia e Paquistão e no caso do Irã e suas instalações nucleares. A gazela e o guepardo Em uma entrevista à BBC, o senador americano Sam Nunn, um dos parlamentares com mais destacada atuação na área de segurança nos Estados Unidos, disse que impedir que material nuclear caia em mãos erradas depende não só de dinheiro. “Recursos são importantes”, disse ele. “Mas o maior desafio é que o presidente (dos Estados Unidos George W.) Bush e o presidente (da Federação Russa Vladimir) Putin passem a considerar a questão como prioritária e conversem sobre isso não apenas em reuniões de cúpula, mas pelo telefone, a cada semana, e mandem alguém resolver o problema ou substitua essa pessoa.” Nunn, que teve papel decisivo no lançamento de uma iniciativa para impedir que grupos extremistas possam construir as chamadas “bombas sujas” (bombas convencionais armadas com materiais nucleares, químicos ou biológicos), concordou com a analogia de Baradei de que há uma corrida em andamento. “Uma gazela fugindo de um guepardo está seguindo na direção certa, mas o resultado (da perseguição) já é conhecido – o guepardo vai ganhar a corrida. Os terroristas estão tentando conseguir materiais para bombas nucleares e estão correndo, e nós estamos andando.” |
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