BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 21 de junho, 2004 - 11h40 GMT (08h40 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Bilingüismo, fonte de juventude
News image
Eu falo inglês razoavelmente. Como, aliás, todos os brasileiros. Nunca conheci um brasileiro que não se dissesse versado no idioma de Shakespeare e de Bob Geldorf.

Francês eu arranho. Arranho no sentido felino do verbo – se me chatearem eu taco a unha no sentido lingüístico. Tudo começou com a letra de La Mer, do Charles Trenet, e La Vie en Rose, da Edith Piaf. De lá para cá, e deles para Proust, foi um pulo.

Nem preciso dizer que o espanhol, inclusive o castelhano e suas sutilezas, como o prefiro chamar, me vem aos lábios com a naturalidade de uma interjeição de irritação durante um Brasil e Uruguai, fosse eu um torcedor da celeste.

Italiano? Dou minhas cacetadas e peço a pizza e o Valpolicella como se fosse sócio do Berlusconi em dúbia empreitada.

Deve ser por isso que eu, apesar da marcha implacável dos anos, me sinto garotíssimo e com vontade de dançar o tempo todo ou brincar de roda e esconde-esconde com as moças que passam por mim na rua.

É como se esse tempo todo vivido não tivesse nada a ver comigo e onde andei e o que desandei a fazer. Não só sou bilíngüe mas, como já foi nossa seleção canarinho, tetralíngüe.

Meu segredo da juventude – esse Viagra da mente e da disposição, digamos, forçando um pouco várias barras – eu o devo, descubro agora, graças ao doce e sedutor sotaque canadense da professora Ellen Bialystok, da Universidade de Toronto, que, em estudo recentemente publicado, defende com brilho a tese de que as pessoas bilíngües concentram-se melhor nas tarefas que têm pela frente.

E dona Bialystok, saibam, comparou o desempenho de 104 pessoas monoglotas e bilíngües entre as idades de 30 a 59, e de 50 entre os 60 e 88 anos.

Segundo ela, aprender e usar uma segunda língua ajuda a proteger o cérebro dos efeitos da velhice. Parece que isso vai de encontro ao que achava naquilo que se autointitula de círculos esclarecidos lá pelos anos 50.

Naquela época, muita gente boa achava meio perigoso ensinar uma segunda língua a uma criança. Poderia criar uma inibição e até mesmo a possibilidade de uma mudez não podia ser descartada.

Mais do que nunca, e não só para dar braçada na Net, é preciso aprender uma segunda língua, o inglês. No caso, cada vez mais próximo de ser nossa primeira língua.

Só umas perguntinhas: e os ingleses e americanos com essa dificuldade toda em se amarrarem numa segunda língua? O que explica viverem tanto? E vale canadense? Que idade tem a professora Ellen Bialystok?

Arquivo - Ivan
Leia as colunas anteriores escritas por Ivan Lessa.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade