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Imigrantes brasileiras respondem a perguntas de internautas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A BBC Brasil acompanhou o dia-a-dia de três brasileiras que migraram para Barcelona no dia 1º de maio último. Os internautas puderam mandar perguntas e comentários para elas depois de assistir a quatro vídeos em que Daniela Porto, Camila Opazo Ricciardi e Marina Nishida Tsutsui falaram sobre vários aspectos de sua experiência na Espanha. A BBC Brasil vai transmitir pela internet, em vídeo, na próxima quarta-feira, dia 9 de junho, uma mesa redonda de Londres em que serão discutidos os desafios enfrentados por quem resolve morar em outro país. Leia abaixo as respostas que as imigrantes brasileiras deram a perguntas enviadas por internautas que visitaram o site da BBC Brasil. Por que a escolha foi a Espanha, ou melhor, Barcelona, capital das artes? Não poderia ser uma cidade menor, mais próxima de Portugal? (Reinaldo, São Paulo, SP) Por que a escolha de Barcelona para viver, dentre todas as cidades? Dica: Arrumem logo um namorado que fale espanhol. Você aprende muito mais rápido.(André Luís Cacciatore Bonetti, Washington, EUA)
Daniela Porto: Eu escolhi Barcelona por ser uma cidade turística, onde eu poderia ter a oportunidade de trabalhar com o público e aprender alguma coisa que eu pudesse usar profissionalmente no futuro. Eu estudei Turismo e essa é uma das cidades mais turísticas do mundo, então acho que essa foi a escolha certa. Não estou nem um pouco frustrada por não estar trabalhando na minha área no momento. Na verdade, ao contrário das minhas amigas que conseguiram empregos que as colocam em contato com as pessoas, como garçonete, por exemplo, eu trabalho dentro de casa. Mas está ótimo, acredito que dei muita sorte. Não me importo de começar por baixo, acredito que eu chego lá. A senhora de quem eu tomo conta é muito gentil, atenciosa, me deixando morar e comer aqui de graça. Tenho a chance de juntar dinheiro assim. Uma das coisas mais legais é que ela me ensina espanhol. Ela foi professora e pratica comigo, me corrigindo o tempo todo. Existe um problema aqui que é o fato de Barcelona ter duas línguas. Tudo é escrito em espanhol ou catalão, ou os dois idiomas e é natural se confundir.
Ela me corrige toda vez que falo algo em catalão pensando que é espanhol. Quanto ao namorado, como disse o Andre Luís, eu não penso nisso no momento. Já quiseram arrumar namorado para mim, um até me parou na rua e me pediu em casamento, mas penso em conhecer melhor o terreno antes de pensar no assunto. Camila Opazo Ricciardi: Eu tenho namorado e isso é uma das coisas que eu mais sinto falta. Marina Nishida Tsutsui : Eu vim em um impulso, sempre quis morar fora e aprender espanhol. Quando minhas amigas disseram que estavam vindo e eu tinha um dinheiro guardado, não pensei duas vezes. Arrumar um namorado espanhol…. Ainda é muito cedo para dizer. No começo a gente ficava super impressionada com a beleza deles. Quando víamos algum bonitão, a gente falava: “Viva a Espanha”. Quando percebiamos que era gringo, diziamos: “Viva os gringos!”. Mas é só brincadeira. Qual o custo médio para um casal viver na Europa? Ainda é possível arranjar trabalho e cobrir estas despesas? (Carlos, Belo Horizonte, MG) Camila Opazo Ricciardi: Um casal aqui tem o dobro de chance. Aluga-se um apartamento por mil euros por mês. O salário para cada um varia entre 700 e 2.500 por mês. É preciso estar muito bem de saúde para uma façanha como esta? (Carlos Alberto Marques Rio de Janeiro, RJ) Camila Opazo Ricciardi: Sobre estar bem de saúde, é claro que tem que estar bem preparado. A gente já tem tantos problemas para lidar todos os dias, que a situação só ficaria mais complicada se tivéssemos que procurar um médico. Eu sei que existe, você pode se registrar na prefeitura, só precisa ter um endereço fixo. O proprietário da casa onde você mora tem que assinar um papel para que você tenha um registro de saúde, mas me disseram que mesmo sem registro é possível. Além disso, é importante estar bem mentalmente. A gente se sente muito só no exterior, por isso tem que ter muita disciplina e não se deixar abater pelos problemas. Nada de pensamento negativo! Infelizmente a imagem do nosso país na Europa é futebol e prostituição. (Carlos G., Paris, França) Marina Nishida Tsutsui: Eu acrescentaria que também samba. Várias vezes em que fomos procurar emprego, o dono do lugar deu um sorrisinho malicioso e disse: "É brasileira? então samba um pouquinho." Esse tipo de desrespeito acontece bastante e, como não estamos com permissão de trabalho, temos que abaixar a cabeça e partir para a próxima. Gostaria de saber as possibilidades de imigrar legalmente para estudar e trabalhar. Procuro uma melhor condição de vida e aqui no Brasil está muito difícil. (Gustavo Costa, Recife, PE) Sou imigrante no Canadá há oito anos. Hoje também cidadão canadense. Se quer imigrar, faça-o pelos meios corretos, com documentação necessária emitida aí no Brasil antes de se locomover para o país de destino. (Márcio, Ontário, Canadá)
Marina Nishida Tsutsui: O meu conselho é que quem puder vir para o exterior com a documentação regularizada o faça. Vai evitar muita dor de cabeça. Várias vezes nos sentimos peixe fora d'água por causa dessas coisas. Existem momentos em que nos perguntamos se isso vale a pena, dá vontade de estar em casa, com toda a comodidade. Mas foi uma opção que escolhemos e estamos aprendendo muito. Se a intenção das meninas é experiência de vida, nada melhor do que essa iniciativa. Quanto a tentar a vida financeiramente, melhor que as expectativas sejam pequenas. (Célia, Brasília, DF) Marina Nishida Tsutsui: O dinheiro que eu tenho ganhado aqui, e leve em conta que estou na Espanha a apenas pouco mais de um mês, é cerca de três vezes o que eu ganhava no Brasil. Isso é legal e estimula. Eu não entendo realmente o que leva um brasileiro a ir para o exterior. É dinheiro? Cobiça? (Amanda Soares de Brito, Londrina, PR) Acho que é covardia pular fora do país por causa da crise, temos que ficar aqui para fazer as coisas melhores para a gente e para as gerações futuras. (Beto, Belo Horizonte, MG) Marina Nishida Tsutsui: Para aqueles que nos acusam de ter fugido do país ao invés de tentarmos melhorar o Brasil, eu fico com a impressão de que eles não passam grandes dificuldades no país. Não é só a questão financeira, mas sim todo o aprendizado que estamos tendo, a começar pela língua. Gostaria de saber se é muito difícil conseguir um emprego de babá por temporada. (Priscila Meirelles, Atibaia, SP) Marina Nishida Tsutsui: Até onde eu sei, não é. Aqui pedem cartas de referência de espanhóis ou de outras pessoas. Qual país atualmente permite uma oportunidade melhor de trabalho? (Flávio, São Bernardo do Campo, SP) Marina Nishida Tsutsui: Eu tenho experiência apenas na Espanha, além de ter parentes que emigraram para o Japão. Lá, eles trabalham muito e têm uma vida que gostam, apesar de não ser fácil. Entendo perfeitamente a situação destas pessoas ao enfrentarem o desconhecido para tentar uma vida melhor. Já enfrentei isto e sei que a situação é muito difícil, mas desejo a todos que tentarem uma boa sorte, e que, se conseguirem, tentem ajudar o mais próximo. (Marcelo Kaway, Atsugi-shi, Japão) Marina Nishida Tsutsui: Uma das coisas que sempre conversamos é sobre ajudar outras pessoas quando a gente puder. A partir do momento em que tivermos condições, que estivermos estabilizadas, vamos tentar passar o que aprendemos para outras pessoas. Da mesma forma que os outros, brasileiros ou não, nos ajudaram, acho que temos a obrigação de fazer o mesmo de volta. |
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